Por Tiago Lopes - 19/08/2008
Dizer que os 10 anos do MADA encerraram um ciclo do festival é acenar com alguma esperança de que o mesmo passe por algumas mudanças realmente interessantes nos próximos anos. O aumento do tempo de cada banda em palco, devido ao menor número de convidadas foi uma mudança sensata, mas o MADA adiantou muito (nas entrevistas do produtor Jomardo, tanto para o Disruptores quanto para outros veículos) e mostrou pouco durante os três dias de evento.
Foi quase unânime a opinião de que nenhuma banda de pequeno porte convidada para esse ano correspondeu bem às expectativas criadas pelos nomes trazidos em anos anteriores – Macaco Bong, Superguidis, Vanguart, Cansei de Ser Sexy – diminuindo ainda mais o impacto que comemorações de 10 em 10 anos deveriam causar. A terceira noite do festival diversificou as origens das bandas (apenas uma banda por estado, ao contrário da primeira noite, onde Pernambuco foi maioria e da segunda, onde os times da casa monopolizaram), mas não conseguiu esconder que a seleção de 2008 foi a mais fraca desde… nem sei desde quando. Mas os quatro últimos anos do festival mostraram ao menos algumas bandas que fizeram boas decolagens pós-MADA. Esse ano, se duas forem além de seus quintais, vocês podem me chamar de feio.
Porque não acredito mesmo que mais alguém vá depositar algum centavo de fé no Sem Horas (PB), não com aquela bobagem toda travestida de “humor” que eles mostraram em cima do palco. Confundir “apresentação engraçadinha” com trejeitos constrangedores só agravou ainda mais as letras e o rock tosquinhos apresentados por eles. Mas veio o Macanjo (RJ), uma das bandas que vai conseguir sim ir além do seu quintal, mas com a ajuda de quem sempre aparece quando a qualidade é o último item na lista de prioridades: o jabá. O som do Macanjo foi milimetricamente calculado para ser executado em programas dominicais, e agrada instantaneamente àquele tipo de gente que classifica música como “nacional” e “internacional” e adora intitular-se como sendo um “eclético”. Os efeitos puderam ser vistos já nas primeiras músicas: vislumbrei todas as moçoilas que corresponderam bem ao Macanjo já vestidas com abadás para ver a Trivela do Asa, quando o que era tocado era um rock anêmico feito portador de diarréia.
Aí veio a Mallu Magalhães (SP), que nem mesmo todo o fuzz em cima dela ainda tinha despertado curiosidade o suficiente para conhecê-la. Então, sem qualquer ansiedade em ver a mocinha no palco, ela acabou fazendo um dos melhores shows do festival. Mas só porque ela não era mais uma banda de rock-for-dummies e o tipo de música que ela faz nunca precisou de inovações ou arranjos profundos para agradar. Junta com a postura de fofura hipnotizante que ela sustenta, mais cover de Johnny Cash, e você passa a confiar cegamente que a inaptidão às vezes à mostra (voz esganiçada, banda um tanto inexpressiva) é a grande graça da Mallu. Foi o bastante para despertar alguma fé e esperar um bom disco de estréia. Se até agora não tinha aparecido nada tão barulhento na noite de sábado, percussões a granel foram ouvidas no show do Cordel do Fogo Encantado (SP) e o que foi visto foi o mesmo circo de sempre: chama acessa, invocação de chuva, platéia ventríloquo e banda messiânica. O vocalista explicou, no início de cada música influenciada por algum evento ou lenda ou manifestação popular, qual era a fonte de inspiração. Só esqueceu-se de citar o Calvino quando cantaram “Sobre as Folhas (ou Barão nas Árvores)” e perderam uma oportunidade única de desviar a atenção de seu público d’O Capital para algo com um senso de humor mais apurado.
Não tenho certeza, mas acho que a organização do festival foi bastante flexível com o tempo que o Cordel ficou no palco. O show do Josh Rouse (USA) estava programado para começar às 00:40hs, mas começou bem depois das 01:00hs da madrugada, já debaixo do prejuízo invocado pela banda anterior e bastante prejudicado por causa disso. Mas o Josh e a sua banda mostraram um bom humor incomum diante da única situação desagradável para qualquer artista: falta de público. À exceção de umas 20 pessoas que ficaram debaixo de chuva e ventos fortes, demonstrando alguma satisfação em ouvir o folk-rock que estava sendo tocado, o cenário estava apocalíptico o suficiente para espantar qualquer boa vontade de continuar agradando. Ou de continuar sob céu chuvoso. Por mais que o show estivesse excelente, agüentei até o meu moletom pedir penico. Entre a ginga e a malemolência do Seu Jorge (ao custo de uma pneumonia) e um edredom quentinho, fiquei com a segunda opção pelo bem da minha carteira de Marlboro.
*título cedido gentilmente por Alexis Peixoto
Carolina Andrade comentou em 20/8/2008 às 8:46 am
Nunca vi cobertura pior de shows do que essa feita por esse site. Sinceramente. Vocês cairam num vazio de questionamentos que não chegam a lugar algum. Fracos (pra caralho) em conhecimento musical..é incrível como podem destacar sempre os de fora, e não disperdiçam uma linha sequer para falar dos grupos locais..só para dizer que foi a pior seleção. mas porque foi a pior seleção? oque teve aqui? Uma dica é ouvir mais sons, diversos sons e depois aprender a criticar. desculpe, mas não entrarei mais nesse site, vazio, estúpido e cheio de preconceitos.
Gabi comentou em 20/8/2008 às 1:32 pm
Ahhhh, não esqueçam do tributo a raul esse sábado! Aí, na chuva, vale a pena!
concita comentou em 20/8/2008 às 4:03 pm
poderia ser engraçado se fosse divertido….poderia ser políticamente correto se fosse crítica…poderia ser inteligente se não fosse ingnorante….mas eh só degradação,mau humor e derramamento de verbo ao nada.
valew….
leonardo seabra comentou em 20/8/2008 às 4:09 pm
Carolina revoltadinha,deve ser porque você não botou fé no Seu Jorge e na musica “Carolina” uheuheuheuheuh. Esse Mada foi triste…
barbara comentou em 21/8/2008 às 8:05 am
galera na buscada paz o que pude perceber é…gosto é que nem cu,o importante é mantê-lo dignamente limpo!
Bruce Lee comentou em 21/8/2008 às 12:55 pm
“reportagem” altamente pertinente ao conteúdo das péssimas bandas que se apresentaram.
assino embaixo
Gustavo comentou em 22/8/2008 às 6:58 am
Nem me preocupo com os comentários pq não dou o devido peso e importância aos “críticos musicais” que aqui fazem essa verborragia desfundamentada e se bobear não tocam nem reco-reco. Gosto é mesmo pessoal e o musical não poderia ser diferente.Viva a democracia e a liberdade de expressão!! rsrsrsrs
Bruce Lee comentou em 23/8/2008 às 7:48 am
O fato de não tocarem nem “reco-reco” não significa que não sabem diferenciar o trigo do joio, independente do genêro musical.
Isabelle comentou em 31/8/2008 às 2:24 pm
“Cordel do Fogo Encantado (SP) e o que foi visto foi o mesmo circo de sempre”
É pra rir? São Paulo? Ãh?
E outra, quantos shows tu foi pra falar uma merda dessa?
Malu Magalhães? … Me lembrou o cd que eu escutava quando tinha meus 6 anos “Arca de Noé III”.
Cara, vai fumar que é a melhor coisa que tu faz mesmo.
Carlos comentou em 2/9/2008 às 9:35 am
Para um MADA que prometia para os 10 anos uma super festa, foi fraco demais, e as bandas locais… tem nem o que falar, fracas demais.
2007 ® Todos os Direitos Reservados
Todos os textos deste website possuem registro Creative Commons License.
DZ3 Design