Palavreando

Richard Williamson e as Viúvas do Holocausto

Por Pablo Capistrano - 08/02/2009

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Não bastasse o presidente do Irã, Armadinejad, agora aparece mais uma viúva do Holocausto para desconsiderar a memória recente do século XX e afirmar que as câmaras de gás, assim como a viagem do homem à lua, a copa do mundo de 1950 e o clipe Material Girl da Madonna foram arquitetados por Holywood e pelos 36 judeus que dominam o mundo.

A viúva da vez é o ex-bispo Richard Williamson, excomungado da Igreja a vinte anos por fazer parte de um grupo de extrema direita chamado Sociedade de São Pio X, liderada por Lefevre, que se revoltou contra o Concilio Vaticano II e abriu uma dissidência ultra-conservadora na Igreja.

O curioso é que a idéia da negação do holocausto parece andar de braços dados com a tese de que os israelenses agem com os palestinos como os nazistas agiam com os judeus. A relação entre essas duas idéias parece, a primeira vista, contraditória mas na verdade elas acabam por se complementar. Ora, como é que os israelenses poderiam agir com os palestinos, como os nazistas agiam com os judeus, se o holocausto não aconteceu? Na verdade, para que a primeira idéia (a de que israelenses tratam palestinos como os nazistas trataram os judeus) seja verdadeira, é preciso que a segunda idéia (a de que o holocausto nunca existiu) também o seja.

Isso é evidente porque, se o holocausto existiu, não é correto afirmar que os israelenses tratam os palestinos como os nazistas tratavam os judeus por um simples motivo: “não haveriam mais palestinos vivos, nem na faixa de gaza, nem na Cisjordânia, nem muito provavelmente em nenhum outro lugar do oriente médio”.

O objetivo fundamental da política nazista era a da criação de um Lebensraum, um espaço vital, um vazio demográfico para que colônias alemães pudessem ser implantadas e instaladas por toda Europa oriental. Assim, era preciso limpar o território de elementos exógenos, judeus, ciganos e eslavos. O sentido maior do Holocausto não era o de simplesmente “massacrar judeus”, mas de construir um espaço para que tudo aquilo que fosse “autenticamente” indo-europeu pudesse crescer. A implantação das Câmaras de Gás (negada por Williamson) foi o ponto culminante de um programa de eutanásia involuntária chamado de T-04 (realizado no começo pelo Ministério da Saúde Nazista), que começou com a pratica sistemática de execuções: primeiro de Doentes mentais e portadores de necessidades especiais, e que rapidamente atingiu para homossexuais, comunistas, artistas e só então avançou sobre os grupos étnicos considerados racialmente indesejáveis.

Se esse programa estivesse em curso contra os palestinos, a essa altura do campeonato não haveria ninguém para jogar foguetes no sul de Israel, nem pedras nas patrulhas do exercito israelense. Por isso, negar o holocausto é tão importante para quem quer atacar as políticas (muitas vezes realmente equivocadas) do governo de Israel. Essa negação não se dá sem uma confusão histórica. O dilema sobre a quantidade de judeus mortos em campos de concentração acontece por um motivo simples: o conceito de judeu não é claro.

Para um ortodoxo, judeu é aquele que é filho de mãe judia (essa é uma influência do direito romano no talmulde babilônico que cria essa caracterização de nacionalidade pela linha materna). Para um nazista, ser judeu é ter, até a quarta ou quinta geração da família, algum parente judeu. O que os nazistas queriam não era exterminar a religião judaica, ou a cultura iídiche da Europa central. Eles queriam expurgar qualquer traço de sangue judeu, qualquer marca de “raça” (isso nem existe!) semita da nação alemã. Por isso, muitos católicos, testemunhas de jeová, ateus e protestantes que morreram em campos de concentração, estavam lá porque não passavam pelo teste racial de germanidade e tinham ancestrais judeus, apesar de não se considerarem judeus, nem serem consiedarados mais judeus pela própria comunidade judaica. Essa discrepância conceitual sobre o que significa “ser judeu” acaba, hoje, servindo justamente para alimentar as teses das “viúvas do holocausto”, homens e mulheres que precisam negar uma série de evidências históricas para sustentar uma visão distorcida e ideologizada de um conflito atual.

10 Comentários para “Richard Williamson e as Viúvas do Holocausto

Juvenal comentou em 13/2/2009 às 10:12 am

“essa é uma influência do direito romano no talmulde babilônico que cria essa caracterização de nacionalidade pela linha materna” é tão boa quanto misturar a Copa de 50 e o clipe da Madonna com a ida do homem a lua.

Yuri comentou em 13/2/2009 às 11:24 am

Olá, Pablo.

Como você mesmo disse, as políticas iraelenses são muitas vezes equivocadas. Mais do que isso, acredito que existe ali uma relação de opressão contra os palestinos, que estão visielmente em desvantagem no conflito e que são movidos, em última análise, por um objetivo legítimo, a criação de seu próprio Estado.

Mas daí a comparar os israelenses aos nazistas, vai uma distância descomunal e que só pode ser fruto de má fé por parte de alguns. Acho que isso contribui para que setores – até mesmo esclarecidos – da opinião pública, caiam na armadilha de demonizar os israelenses enquanto povo, contribuindo para mais intolerâncias e preconceitos. Infelizmente, não de hoje que “pessoas inteligentes utilizam seus cérebros para emburrecer.”

Mario Cesar comentou em 18/2/2009 às 12:21 pm

A historia é contada sempre pelo lado dos vencedores!!!
Holocauto nunca existiu da forma como é contada, ora seis milhoes de judeus mortos na segunda guerra!!!
Nunca existiu essa populaçao de “seis milhoes” de judeus em toda Europa, desde o inicio do nazismo ate o final da guerra!!!
Não acreditem em tudo o que foi ensinado a voces, duvidem de tudo que leem, investiguem outras fontes e ai tirem suas conclusões

Marcelo comentou em 19/2/2009 às 11:55 pm

Mario, cite algumas de suas fontes de pesquisa.

Mário…
Acho que você precisa ler um “pouquinho” mais. Quem sabe um curso intensivo de História ou algo do gênero direto no hipotálamo. Acredito que passou da hora de você deixar de frequentar às sessões da TFP.
Fiquei tentado, pela suprema baboseira que você escreveu, a limá-lo deste espaço unilateralmente.
Entretanto, pensei com meus botões, como não há argumento no que você escreveu – o mínimo, sequer -, seria injusto da minha parte não dar a quem quer que leia sua “contribuição” a chance de desancá-lo.
E essa conversa de que “a história é contada pelos vencedores”, muleta pseudo-marxista às avessas, é no mínimo patética, cidadão.

Demétrio comentou em 24/2/2009 às 7:20 pm

Não se trata de negar o holocausto. O que se questiona é que os judeus podem fazer tudo o que querem com qualquer um que é “legítima defesa”, inclusive ridicularizar, detratar e até profanar as figuras de Jesus e Maria. Mas se qualquer outro povo fizer ou disser algo que não seja do agrado dessa gente, é crime contra a humanidade, é holocausto, é perseguição, enfim, só eles têm razão. E, assim, continuam praticando atos verdadeiramente terroristas contra os palestinos, sob o manto da impunidade com que os EUA lhes protegem.A quem interessa os crimes atuais cometidos pelos judeus contra a humanidade?
A lógica histórica aponta para uma conclusão: todo perseguido tende a se tornar perseguidor de quem é mais fraco do que ele.

luiz alves comentou em 25/2/2009 às 5:17 am

Eu nasci em 1948,no antigo ginásio,eramos bombardeados com notícias sobre o holocausto,era quase matéria obrigatória.Sobre hiroschima e nagazaki,o que aconteceu foi legítima defesa.
Tirem suas conclusões.

Ricardo comentou em 25/2/2009 às 5:27 am

Quem são as viúvas do holocausto? Quem coloca em questão (apenas em questão) sua magnitude ou mesmo reexame ou quem tem necessidade de censurar qualquer tentativa de lembrá-lo. Sim, de lembrar. Pois quando há um trauma é preciso lembrá-lo, sem revive-lo neuroticamente, é assim que se faz na psicologia qundo se quer curar um paciente transtornado por uma neurose traumática. A quem interessa a censura a este ponto, de não podermos sequer exercermos a livre opnião.

Paulo comentou em 27/2/2009 às 7:47 am

O patrulhamento judaico está terrível. Cuidado!!!
Gostaria de ver uma discussão séria entre os que afirmam e os que negam o holocausto, porém acho que devido ao patrulhamento judaico isto nunca ocorrerá. Temos que engolir a verdade apresentada, sem questionar.

Pablo, belíssimo texto. Meus parabas. Bom também o comentário de Yuri. Negar o Holocausto é filhodaputismo. Sem comparação com outras e inúmeras chacinas [como a dos Palestinos, promovida incessantemente pelo Estado de Israel], que devem ser denunciadas sem cessar.

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