Palavreando

Não há muito a fazer, quando o delírio predomina…

Por Alexandre Honório - 22/10/2006

Engraçado, mas, nestes tempos eleitorais, o termo “delirante” ganha contornos engraçados. Somos, sendo benevolente, um Estado socialmente beligerante. Isso, estamos em constante guerra. Não é de estranhar que corações e mentes estejam divididos entre dois polos. O primeiro destes é uma massa desmemoriada desde sempre. A população brasileira, sem medo de errar, detém péssima memória histórica.

Um exemplo é a composição da Câmara dos Deputados estabelecida este ano. Reconhecidos hipócritas, corruptos confessos e idiotas reconhecidos representarão os “anseios” do Povo Brasileiro. Impossível não esconder o asco ao escrever “Povo Brasileiro”. Um povo sem consciência histórica, vergonha de seus erros e propensa, sem maior pudor, a errar mais e mais vezes. Se a corrupção é um mal endêmico, a idiotia coletiva deve ser seu motor. Amor próprio, bem, o “Povo Brasileiro” somente tem quanto são tocados seus estúpidos brios – ou vaidade.

O que mais impressiona, no entanto, é o natural apego, em tempos bicudos, ao “menos pior”. Não, não queremos o melhor coletivamente; nos interessa a continuidade dos status quo; a aceitação de nossa estupidez infalível. Outro dia, em um supermercado, um delirante exclamava aos quatro cantos que “os alquimistas estão chegando” – uma referência à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo, à presidência da República. Que alquimistas? Aqueles atualmente no poder somente serviram para escancarar as duas bandas podres que regem nossa sociedade.

Escutei e calei. Refutável a idéia de que o comando do país passará por alguma mudança. Na minha cabeça, para tanto, deveria primeiro ocorrer um banho de sangue. Algo que permitisse uma reflexão efetiva em relação ao que está errado em nossa maneira de pensar o Estado Brasileiro. Está provado que os últimos vinte anos – ou as figuras políticas dos últimos vinte anos (salvo algumas excessões) foram insuficientes para conduzir o país em direção ao seu objetivo democrático.

Enquanto oposição e situação esbravejam seus impropérios, a sociedade cataléptica brasileira encontra-se na mesma posição em que se encontrava há poucos vinte anos: estagnada e entregue à própria sorte diante das hienas. Estas, por sua vez, esbravejam e riem. Rir, na maioria das vezes, tem sido a única arma desta população.

Mas, diante disso, é preciso ponderar: até quando o “Povo Brasileiro”, entre aspas, rirá de sua desgraça política? Como deixará esse riso “maroto e matreiro” de lado para finalmente aprender um pouco com sua história?

Não estarei por aqui para ver respondidas tais questões. Tenho por mim que estarei comendo sete palmos de terra quando e se isso acontecer.

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