Por Carlos Gurgel - 15/12/2006

Velejar como hóspede da canalhice da urbe. Se deleitar como vagalume que ronda, esperneia, e roça-se por entre sombras e penumbras. Vagar feito ermo. Temporalizar salivas e soluços. Urtiga e caroço. Mel e a vadia sensação do recomeço. Urgir. Ventríloquo de espermas e esperas. Cadafalso de intermináveis promessas. Venda que cerra olhos e pescoços. Cera que lima versos e verões. Líquen que espalha ao redor do noturno vulto, sussurros de uma bestialice maldita. Cerco que alinhava poemas e pendões libertários. Vasto inferno de lanças e dragões, empinando o suor do lixo das nossas vãs filosofias. Medidor do caos, como limbo de uma vagonete que se aproxima da demência dos nossos olhares fúteis. Restos das sobras dos nossos incalculáveis perdões. Quadra que declara medo e reticências. Espelho são magias. Profícuo hímen de quem se deixou levar pela algazarra de bordões e pincéis. Velada pluma que arrisca o arisco do vôo matinal. Punheta de quem se declarou passageiro de uma aventura circense. Comestível que fica na porta de quem não tem o que fazer. Beilho intendo de uma sinfonia de ossos. Roubo da memória da cara do pateta que rastreia lágrimas e vítimas. Rio caudaloso que encerra cenas e pântanos. Partos e pêras. Víbora da cor do meu indescritível tropeço. Música que protege bufões e argonautas. Silicones e ladrões de horas. Como roteiro de uma noite vasta e mundana. Calipso de beijos e transcrições. Cardápio que alimenta o volume de quem nunca se deixou trair.
Como veludo de uma torrente de afagos e desmaios.
Bilocas e bretões. Volúpias e traças estilhaçadas. Imenso calor do nosso colar vagabundo. Insonia.
Saudade.
Vinha seca.
Alex comentou em 18/12/2006 às 4:12 pm
E assim, o amigo Carlos Gurgel inaugura a presença da prosa poética em nosso pequeno zine eletrônico.
Seja bem-vindo, poeta!
Lola comentou em 27/12/2006 às 3:29 pm
Escreva aqui…
o verbo gurgeliano a mil. linguagem ciberotica, psibernetica, entre o cyberpunk e o tronco novo da evoluçao contracultural. dà-lhe gurgel.
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