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Morrison, Quitely e Os Doze Trabalhos do Homem de Aço

Por Alexandre Honório - 15/02/2007

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Um Superman como nunca se viu. Esta é a primeira impressão que o leitor terá ao conferir Grandes Astros: Superman que chegou às bancas brasileiras em Janeiro e agora pousou nas minhas mãos. A publicação apresenta ao público brasileiro as “diabruras” que vêm sendo promovidas pela dupla Grant Morrison & Frank Quitely no título All-Star Superman.

Os dois foram responsáveis por uma das revistas mais bacanas de 2005, We3, e também pela revolução que tomou conta dos X-Men quando da passagem de Morrison pela publicação – meses antes da DC Comics renovar seu passe junto à editora. Morrison já tinha passado pela DC e deixado sua marca: Homem-Animal, Os Invisíveis e o clássico Asilo Arkham são alguns dos petardos do cidadão – sem falar na fase da Liga da Justiça roteirizada por ele e sua incursão pela séria DC: Um Milhão. Know-how o cidadão tem de sobra…

A linha All-Star, no EUA, vem redefinindo alguns dos principais personagens da DC. A idéia é bem simples: grandes nomes – roteiristas, ilustradores, arte-finalistas, etc. – com total autonomia criativa para redefinirem (caso de All-Star Batman & Robin, lançada aqui sob o título de Grandes Astros: Batman & Robin que está sob o comando de Frank Miller e Jim Lee) ou mesmo conduzir seus personagens através de novas perspectivas.

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Capa deGrandes Astros: Superman lançada em janeiro pela Panini Comics

No caso de Grandes Astros: Superman, a idéia de Morrison é que cada edição detivesse vida própria; as aventuras não fariam parte de um imenso arco ou dependeriam disso para apresentar algum sentido. No entanto, mesmo sob tal conceito, as aventuras fariam parte de algo apelidado pelo autor como “Os Doze Super-Desafios”; uma profissão de fé a qual o Homem de Aço se submeteria. All-Star Superman está em sua sexta edição lá fora e, tendo lido todas, posso dizer que a aposta de Morrison é alta e inovadora à estratosfera…

Na primeira edição, para ter-se uma idéia – justamente aquela que chega ao Brasil – os quatros quadros que inauguram esta nova fase contam a origem do personagem: sem firulas, frescuras e outras bobagens. Morrison foi saudado por resgatar o herói – recém saído dos eventos meia-boca de Crise Infinita – e apresentá-lo de uma maneira, pra ficar em um adjetivo menor, empolgante.

A edição, como disse, abre com quatro quadros traçando a origem do Superman; depois disso, saltamos direto para o Sol e lá nos deparamos com os Helionautas: um grupo de cientistas do Projeto DNA que promovem pesquisas na superfície solar. A ação decorre quando uma criatura enviada por Lex Luthor pretende explodir a expedição.

Uma das sacadas interessantes desta apresentação é, primeiro, o diálogo entre Luthor e o General Lane. É neste instante, quando Luthor chega à conclusão de que seus dias estão irremediavelmente acabando e o Superman não envelhece, que somos apresentados à linha que guiará a trama de alguns dos próximos capítulos da série: Lex Luthor movendo o planeta para obter sua vitória sobre o Homem de Aço.

Após a derrota do “homem-bomba” criado por Luthor, Superman é alertado que seu passeio pela superfície solar sobrecarregou suas células e que estas começaram a morrer. Sua fonte de energia decretou sua morte… Mais uma vez Grant Morrison faz um passeio pelo mundo ultra-tecnológico: replicação por DNA Bizarro; citações a Ray Bradbury; Nanotecnologia; tudo que possa virar a cabeça do leitor ao avesso – assim como fez com We3 e Os Invisíveis…

Depois de retornar a Terra – tendo descoberto que sobram-lhe poucos dias de vida –, Superman tem em mente algumas ações que somente comprando a revista você descobrirá…

Bem… Se de um lado temos o genial roteirista chamado Grant Morrison, de outro temos o traço de Frank Quitely. Devo ter uma lista de pelo menos quinze adjetivos enaltecendo a técnica de Quitely: todos não conseguem chegar perto da qualidade do trabalho do cidadão. A capa desta primeira edição, por exemplo, fala por si: um Superman sereno, sentado em uma nuvem sobre Metrópolis, aproveitando os primeiros raios de um nascer do Sol. Incrível…

No interior da revista, Quitely dá vida às pirações de Morrison com seqüências e planos impressionantes. Um dos exemplos mais incríveis é aquele que narra o intervalo entre o diálogo entre Luthor, General Lane e o Homem-Bomba a bordo da nave Ray Bradbury. Outro ponto alto é o encontro do Superman com as cópias produzidas pelo Projeto DNA a partir das células de Bizarro – culminando com a apresentação dos Titãs Expedicionários e Nanonautas.

O estilo de Quitely – grandiloqüente e minucioso – tem sido uma das causas para os atrasos da publicação, fazendo com que os fãs arranquem os cabelos enquanto esperam a próxima edição. Apesar de tudo, Quitely continua imbatível: seu traço e cuidado com as cores lembra o estilo de Moebius – provavelmente uma de suas influências…

No mais, meu caro, gaste alguns Reais (R$ 3,90 para ser exato) e confira a primeira edição de Grandes Astros: Superman. Deixe de ser mão-de-vaca…

4 Comentários para “Morrison, Quitely e Os Doze Trabalhos do Homem de Aço

Segunda tentativa frustrada de comprar essa revista. Fui hoje na banca do Nordestão de Cidade Jardim e necas. Será que vou ter que ir bater lá na Salgado Filho? Se o Cabo tivesse uma banquinha de revistas seria o paraíso na nas Infinitas Terras.

Agora sim! Consegui comprar a revista, finalmente. Valeu cada centavo. É realmente perceptível a influência de Moebius no traço do Quitley e nos personagens do projeto DNA. Genial, genial. Espero que as próximas não demorem a chegar por aqui.

Meu caro: Li com atenção suas várias críticas sobre HQs. Li e gostei, é bom acrescentar. Como os quadrinhos há muito me interessam, continuarei atento às manifestações que pensam sobre o seu mundo. Mas não seria o caso de se voltar com igual destaque para os quadrinhos nacionais? Um abraço.

Concordo com você, Moacy. Estou devendo uma análise de pelo menos duas edições brasileiras bacanas. Acredito que muito em breve devo postá-las por aqui.

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