Por Alex de Souza - 27/07/2008
Em 93 eu tava entrando na finada ETFRN quando o maluco do Mike Mignola colocava no mundo aquela que seria sua maior criação, Hellboy. A minissérie inaugural, Sementes da Destruição, que chega agora as bancas em lançamento luxuoso da Mythos Editora (Hellboy Edição Histórica – Volume 1 – Sementes da Destruição, 132 páginas, R$ 49,90), apresentava em quatro capítulos os principais elementos que permeariam a trajetória do personagem marrento.
Além da sempre manjada origem do personagem, um clichê do gênero de super-heróis, somos apresentados a uma concepção mística de mundo saída de algum exemplar extraviado do livro ‘O Despertar dos Mágicos’. Estão lá os nazistas praticantes de magia negra, gigantes adormecidos, bestas ancestrais, criaturas extradimensionais e o que mais Mignola conseguiu arrancar de uma saraivada de referências pulps, de Leiber a Lovecraft, passando por Edgar Rice Burroughs e Robert E. Howard.
Além disso, personagens que se tornariam figurinhas carimbadas do universo Hellboy dão as caras, como a pirogenética Liz Sherman, o homem-peixe Abe Sapien, o insano Rasputin, a horda de nazistas malucos (tá, sei que é redundância), liderada pelo próprio Hitler, que só seria morto por Hellboy em 1954 (?!), a criatura Ogdru-Jahad, que pode desencadear o fim dos tempos e por aí vai. Por sinal, esta série inspirou o primeiro longa-metragem do personagem, cuja seqüência chega aos cinemas por esses dias.
Em Sementes da Destruição com o personagem, talvez por insegurança, Mignola deixou o roteiro a cargo do experiente John Byrne (que reformulou os X-Men no final dos anos 70 e teve passagens importantes por títulos como Superman e Quarteto Fantástico). No entanto, já fica evidente o quão casca-grossa é Hellboy, com seu jeito cético e tou-pouco-me-lixando de lidar com o sobrenatural.
Mignola deve ter resolvido apostar no seu poder como ilustrador. E acerta em cheio, ao refinar seu estilo econômico, recheado de áreas escuros e poucos contornos, que o tornaram famoso em série como Odisséia Cósmica. Ele vai levar essa técnica ao extremo, até tornar seu traço indissociável ao personagem, como poucos mestres dos quadrinhos souberam fazer (e me vem logo à memória Hal Foster e seu Príncipe Valente).
Numa quadrinização econômica, em que os personagens mais sugerem que realmente ‘agem’, apostando numa atmosfera lúgubre e por vezes exótica, Mignola consegue transmitir todo o impacto visual que o mundo incrivelmente surreal de Hellboy evoca. Esse Hellboy já nasceu clássico.
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