Por Alex de Souza - 28/09/2008

Ninguém tem dúvidas que Conan é o maior bárbaro das histórias em quadrinhos, certo? Agora, talvez você não saiba que o mais engraçado com certeza é Groo, O Errante. Criado pelo cartunista Sergio Aragonés, lendário colaborar da revista Mad, o bárbaro gordo e desastrado, além de exímio espadachim, ganha uma edição comemorativa pelos 25 anos de publicação (quase) ininterrupta – Groo, 25 Anos de Desastres (Mythos Editora, 160 páginas, R$ 34,90).
A edição marca a ida do personagem para a editora Mythos, mas os leitores das antigas devem lembrar de sua passagem pela Abril, no comecinho dos ano 90, em 27 edições que hoje são uma raridade para colecionadores. Outro atrativo do título é um divertido Abecedário do Groo, apresentando os principais personagens que ilustraram a revista nos últimos 25 anos. Artigo para colecionador.
Apesar de funcionarem sempre com um mesmo mote, o de que a simples presença do bárbaro estúpido feito uma pedra é suficiente para arruinar qualquer trama, o humor em Groo é certeiro como um golpe de espada, porque, independente do desafio, a ação de Groo será sempre a amais imbecil possível.
A agilidade no traço de Aragonés, em contraposição à riqueza de detalhes empregada pelo desenhista tanto nos cenários como nos figurantes, pode ser atestada pelas inúmeras páginas de quadro único, em que ele esnoba os pobres mortais com sua técnica. São dezenas de personagens amontoados em planícies, vilas, palácios, numa riqueza visual que pode lhe fazer gastar vários minutos ‘lendo’ as imagens.
Feitas em parceria com o roteirista Mark Evanier, as histórias de Groo, O Errante trazem, por trás do humor no mais das vezes explícito, muitos elementos de sátira social. Esse encadernado, em especial, mostra que o mundo medieval de Groo precisa enfrentar um inimigo muito mais implacável que o próprio bárbaro: o aquecimento global.
Assim, somos levados a desfilar pelos vários problemas socioambientais atribuídos ao desequilíbrio ecológico que enfrentamos hoje. São as secas, enchentes, derretimento das calotas polares, queda na qualidade do ar provocada pela poluição e por aí vai. Por outro lado, os monarcas e soberanos se dedicam febrilmente à produção de armas, à cobrança de impostos e à preparação para guerras das quais sabem muito pouco ou quase nada, mas que são assuntos mais relevantes que qualquer outro.
É inevitável a comparação com nosso tabuleiro geopolítico da última década. No principal reino em que se passa a história, para completar o angu, o rei só se preocupa em aumentar a produção das forjas, enquanto o irmão gêmeo dele é convencido pelo Sábio (personagem recorrente nas histórias de Groo, que se expressa por meio de provérbios) a abrir os olhos da plebe para a situação complicada do meio ambiente. Mas, como solução para os problemas, o irmão do rei apresenta invariavelmente uma solução: depor o rei e coloca-lo no lugar dele. Se alguém ainda lembra da eleição americana entre George WC Bush e Al Gore vai perceber a ironia da história…
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