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Decadência e redenção de um herói por Miller e Mazzucchelli

Por Alexandre Honório - 16/08/2010

O que torna uma história em quadrinhos fundamental? Equilíbrio entre trama e traço aliado ao talento por trás deles. É isso que transforma Demolidor: A Queda de Murdock em um clássico do gênero e o coloca entre as principais criações da década de 1980 e dos quadrinhos mundiais. Criada por Frank Miller e ilustrada por David Mazzucchelli – a mesma dupla que recontara de forma magistral a origem do Cavaleiro das Trevas em Batman: Ano Um –, A Queda de Murdock é uma história de decadência e renascimento impar – como o nome do arco lá fora claramente propõe: Born Again.

Matt Murdock, o homem por detrás da mascara do Demolidor, é envolvido em uma sucessão orquestrada de eventos coordenada pelo principal inimigo do Homem Sem Medo: Wilson Fisk, o Rei do Crime. Tudo começa quando Karen Page, antiga amante de Murdock, revela em troca de uma dose de heroína a identidade secreta do Demolidor. Um envelope que chega às mãos de Fisk basta para que o vilão inicie uma caçada a Murdock, destruindo-o aos poucos e lançando-o mais e mais em um atoleiro.

Capa de Demolidor: A Queda de Murdock, lançada pela Panini Comics

A maneira como Frank Miller descreve a decadência de Murdock e o regozijo de Wilson Fisk é primorosa: ajudado pelo traço impecável de Mazzucchelli, Miller imprime nuances à relação entre Fisk e Murdock, demonstrando como o primeiro reconhece no segundo a sua contraparte – e porque esta contraparte deve ser destroçada desde o íntimo para que, assim, não possa se erguer.

Demolidor: A Queda de Murdock é também uma história de redenção, já que mostra Karen Page tentando deixar a sarjeta e o vício também à procura de salvação. Na trama, além do próprio Matt Murdock e do Rei do Crime, dois outros personagens são primordiais para o mosaico construído por Miller: Karen e o jornalista Ben Urich.

A primeira porque, tendo sido a responsável direta pela queda do Demolidor, será igualmente responsável por seu ressurgimento triunfante frente ao Rei do Crime; o segundo, bem, porque é a partir da narrativa paralela de Urich que o que se desenrola nos bastidores da trama é revelado em suas cores vívidas.

Vale lembrar que Miller faz do repórter Ben Urich em A Queda de Murdock, vale lembrar, estabelecera muito do que o personagem

Em A Queda de Murdock tudo se esfaçela para o Demolidor: amigos, casa, cidade, inimigos. Enfim, tudo desmorona e, tão logo Matt Murdock chega ao fundo do poço, recomeça sua trajetória na direção do clímax impecável que é a batalha nas ruas da Cozinha do Inferno contra o supersoldado Bazuca.

Li A Queda de Murdock lá em 1988. Tinha meus 14 anos e, engraçado, passado todo este tempo a história mantém seu viço e força. Juntamente com Elektra Assassina, Demolidor – A Queda de Murdock é uma daquelas histórias indispensáveis para quem gosta de HQs e, mais, para quem gosta de uma combinação impecável entre argumento e ilustração.

Um Comentário para “Decadência e redenção de um herói por Miller e Mazzucchelli

Para mim, esta é uma das grandes hqs de Miller, junto com Cavaleiro das Trevas, Batman Ano Um e Sin City.
Pena que ele tem feito tanta porcaria hoje em dia , como praticamente assassinar o Spirit com aquele filme horrendo e o igualmente pavoroso e caça-níquel Cavaleiro das Trevas 2.
Até mais.

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16/08/2010

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