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A Idade de Ouro das HQs e seus ícones ganham releitura histórica

Por Alexandre Honório - 12/11/2006

DC: Nova Fronteira

Histórias em quadrinhos há muito ganharam um novo status junto aos leitores do gênero. Personagens como Superman, Batman, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde praticamente viraram ícones pop. Faltava apenas contextualizá-los para que suas origens pudessem ser situadas históricamente. O estabelecimento de uma fronteira mais visível.

Bem, esta foi a premissa da série DC: Nova Fronteira, recentemente lançada pela Panini Comics no Brasil. A série em dois volumes não apenas situa os personagens da editora americana em momentos históricos, mas envolve-os em instantes importantes do século passado. A luta pelos direitos civis; as ações do governo norte-americano no pós-guerra; a Guerra-Fria, a corrida espacial e armamentista; tudo é apresentado juntamente com os heróis envolvidos nos desdobramentos de cada um destes episódios.

O trabalho de Darwyn Cooke e Dave Stewart situa cronologicamente muitos dos heróis que conhecemos, aposenta alguns outros e, bem, explica o que ocorreu com aqueles que ficaram pelo caminho. A narrativa empregada por Cooke faz uso de elementos para que possamos aproximar estes personagens da nossa realidade social.

Quando o cruzado negro John Henry (o primeiro Aço) é denunciado por uma garotinha branca aos perseguidores da Ku-Klux-Klan, o que se segue é uma clara citação ao jornalista Edward R. Murrow e ao seu programa See It Now, no qual tratava de alguns temas polêmicos e caros à sociedade americana (Murrow foi imortalizado recentemente no longa Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney). O rigor histórico e a preocupação pormenorizada com instantes importantes do final da primeira metade do século passado e parte da metade seguinte são elementos que fazem a diferença. Mas não somente isso…

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Capa da edição brasileira de DC: A Nova Fronteira, lançada pela Panini Comics

A arte é um dos pontos-chave da série. A arte de Cooke combinada com as cores de Stewart nos conduzem também pela história das Histórias em Quadrinhos; para sermos mais exatos, pelas idades de Ouro (1938-1956) e de Prata (1956-1970). A trama se passa basicamente entre os anos 1945 e 1959, demonstrando portanto as transformações as quais o planeta fora submetido então.

O traço Pop de Cooke evolui juntamente com os personagens. Batman e Superman, por exemplo, sofrem claras mudanças visuais durante suas passagens pela trama. Mudanças nos uniformes, atitudes e posturas dão a tônica da trama enquanto todos são conduzidos a um evento cataclísmico que reunirá a todos. Somos apresentados, por exemplo, a uma Mulher-Maravilha que, para que seu instinto libertário não ofenda seus superiores norte-americanos, é obrigada a tirar férias.

O visual de DC: Nova Fronteira nos remete à história das HQs e aos motivos pelos quais gerações e gerações foram embaladas por suas aventuras; pelos heróis que delas sairam; e pelos valores que estas apresentaram.
Não é difícil entender porque que a Idade de Ouro dos quadrinhos foi importante para que autores como Neal Adams e Alan Moore obtivessem referenciais para promoverem as transformações que ocorreram nas modernas HQs.

DC: Nova Fronteira não é apenas a garantia de alguns minutos de boa leitura. As duas edições, como o nome propões, estabelece límites claros historicamente para os nossos heróis. Não apenas sabemos suas origens, mas também o caminho por eles percorridos até nossos dias. Percorridos agora com muito mais verossimilhança.

4 Comentários para “A Idade de Ouro das HQs e seus ícones ganham releitura histórica

Alex comentou em 14/12/2006 às 7:46 pm

Mesmo assim, rola uma americanalhada daquelas bem grande. Terminar a mini-série com um discurso de Kennedy foi uma estratégia clara de mitificar os dois momentos na narrativa: a volta dos heróis é também a ascensão de outro Herói no plano nacional, um paladino de palavras fortes que será brutalmente massacrado. Eles só se esqueceram que Kennedy foi um dos piores presidentes da história americana.

Tá, mas JFK tinha uns assessores de imprensa classudos, ah, isso tinha…
DC: Nova Fronteira é americanófilo pra caralho, mas, uma coisa você tem que admitir: a sacada de Darwyn Cooke foi genial e os desenhos do cara são foda.
Não à toa, o cidadão foi escalado para conduzir a nova ressurreição do Spirit.

gostaria de comprar esses 2 volumes da dc: a nova fronteira porque achei mui interessante nessas histórias relativas a história geral.

Achava que eram 3 volumes nessa série, mas na verdade são 2 volumes e tô louco pra ler essa minissérie.

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