Musicofilia

Rock com testosterona

Por Hugo Morais - 30/01/2007

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Ahhhhhhh o verão, época de você fazer coisas que vai contar para seus netinhos… É mais ou menos isso que diz o novo slogan da cerveja que abastecia a maioria dos presentes a Ribeira, pelo menos os mais velhos, já que pela hora, tinha muito guri. E foi verdade. Uma noite para ser lembrada.

Por volta das 19h30 duas bandas já haviam tocado. Vitrola e Arquivo. Nós, que estávamos do lado de fora do infernão, fomos avisados que a próxima banda a subir ao palco era Drunk Driver. Boa hora para entrar. Depois de umas quatro ou cinco apresentações dos bêbados, gosto cada dia mais. Estão mais soltos. Mais pesados. Nada que lembre a onda New Metal, EMO, Hardcore que assola Natal e Brasil. Ô saco…

O Drunk Driver bebe do que chamam de Stoner Rock, seja lá o que diabos for isso. Os caras são influenciados por Motorhead, AC/DC, Guitar Wolf, Hellacopters, Evil Idols e gente como Cascavelletes. Não conhece? Deveria. Zé Mané. Levando-se em conta essas influências o que se esperar do show? Uma porrada na cara. E foi isso. A banda, antes um quinteto, trocou de baterista e perdeu um guitarrista. O resultado é apenas uma guitarra com riffs pesados e um baixo estourado para segurar a bateria inquieta de Catraca, o homem banda.

Durex nos vocais solta palavras de incentivo a bebida, a mulherada e tudo aquilo que o bom rock deve incitar: aproveitar a vida e parar com o lamento com a franja caindo na cara. O resultado do esporro sonoro é cerveja atirada sobre a banda, público ensandecido em rodas de pogo e cerveja descendo mais rápido goela abaixo. Já bastava o repertório que conta com músicas como “I wanna drink” e “Pin up”, mas para incitar ainda mais mandaram uma d’Os Pedrero e outra chamada “O dotadão deve morrer” que é da tal Cascavelletes citada acima. Os mais velhos gostaram e foram a frente confraternizar na roda de pogo. A molecada deve conhecer a música via Ratos de Porão, mais pesada. Fim de apresentação e a convocação para as meninas: “Groupies atrás do palco”. O álcool já começava a fazer efeito.

O Fliperama, defensora do Bubblegum, veio logo após com a missão de manter o clima. Fizeram um show redondo, muito bom, com direito a todos os amigos sobre o palco. Um com camisa rosa tentava a todo custo aparecer. Foi necessário intervenção da segurança, pois o palco estava lotado. No melhor estilo Ramones, The Queers, Carbona e etc, o quarteto mandou as músicas do disco lançado pela DoSol Records em 2006 e uma cover de Tequila Baby, “Sexo, algemas e cinta-liga”. Uma molecada com muita competência. Mas a tarefa de ficar entre Drunk Driver e Rock Rocket ofuscou um pouco a apresentação.

O Rock Rocket entrou em cena com a partida já ganha. Depois de uma passagem de meia hora no Banda Antes MTV, a hora de show instigou do início ao fim. Com as já clássicas músicas do primeiro disco como “Puro amor em alto mar”, “Cerveja barata”, “O babaca e a meretriz”, a banda incentivou ainda mais o consumo do álcool com seu rock alcoólatra e inconseqüente. A essa altura, com a banda fazendo dancinhas e toda a performance já conhecida, tudo pegava fogo. Dá gosto ver o rock sendo levado de volta a simplicidade que o consagrou. Pouca firula e muito barulho. Letras simples, engraçadas e rock no talo. Um chute no saco e um soco na cara dessas bandinhas choronas que tem por aí. Tudo parecia ir bem caminhando para o fim, até que, como no Banda Antes, mandaram mais uma clássica dos Cascavelletes. E lá se vai a marmanjada pra frente do palco cantar: “Menstruaaaaaaaaaaaaaaada, menstruaaaaaaaaaaaaaada, mas mesmo assim eu vou transaaaaaaaaaaar”.

Já chega. O fim não poderia ser melhor.

6 Comentários para “Rock com testosterona

O Rock Rocket é uma dessas bandas que ainda não me desceu. São divertidos e tudo, mas pra ti curtir bebado numa festa legal. Escutar em casa e sóbrio nem pensar. Porque ai tu começa a pensar nas influências tão chupadas pela banda que acaba preferindo o original. Sábado faltou mais alcool nas véias para me divertir com o show.

Tiago Lopes comentou em 31/1/2007 às 4:35 am

Kênia, o que faltou foi coca-cola!

A sorte do Fliperama é que eles tocaram a cover do Tequila Baby, né meu rei? Senão, você teria descido o sarrafa. Bubblegum é o catzo.
O Drunk Driver realmente frustrou um pouco as minhas expectativas. Não pq a banda seja ruim; não é. Apenas imaginava o som de outra forma, diferente da que eles fazem que não é muito a minha praia. Mas o caras realmente são bons e diferentes da viadagem core-core que rola por aqui.
Rock Rocket? Sensacional. Desde já sério candidato a melhores do ano.

gabriel comentou em 1/2/2007 às 6:31 am

putz, fiz bem em não entrar no Dosol

gabriel comentou em 1/2/2007 às 6:32 am

mesmo assim um cara vomitou na minha perna do lado de fora

I really cluodn’t ask for more from this article.

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