Musicofilia

Primal Scream em alto, classudo e bom som…

Por Alexandre Honório - 22/10/2006


Demorei algum tempo para entender porque Exile on Main Street, dos Rolling Stones, é considerado o melhor disco da banda; um clássico absoluto, para muitos. Na verdade, de uns seis anos pra cá é que, sem pestanejar, aponto ele como um dos melhores discos do século que passou. Pode espernear, está tudo ali: toda a matéria-prima que transformou os Stones na “maior banda de Rock’n'Roll de todos os tempos”.
Deixemos, por ora, os Stones de lado. O assunto aqui será o novo disco do Primal Scream, Riot City Blues, álbum que, de longe periga ser um forte candidato a melhor de 2006 - juntamente com Broken Soldier Boy, do Raconteurs, Rather Ripped, do Sonic Youth, e, correndo por fora, The Ballad of Broken Seas, da Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) e Mark Lannegan (Queens of Stone Age e Screaming Trees). O disco de Bobby Gilespie & Cia é um dos mais inspirados da lista citada; é possível sentir algo pulsando quando se escuta o álbum pela primeira vez…vai por mim.
Fazer-nos pulsar é uma das armas do Primal Scream, diga-se. Mesmo em seus primeiros discos pelo selo Creation, podíamos imaginar o porquê da opção de Gilespie em deixar o Jesus & Mary Chain – entender esta opção, no entanto, é outra história. Muita água passou por baixo da ponte enquanto o Primal Scream emendava um disco atrás do outro. Alguns menos inspirados que outros, diga-se – escute os dois primeiros, Sonic Flower Groove (1987) e Primal Scream (1989), e entenderá o que quero dizer (o segundo pode ser encontrado na Velvet Disco, vale lembrar).
Na verdade, o grupo especializou-se em surpreender seus admiradores, detratores e afins. Screamadelica, de 1991, por exemplo, foi o motor de uma guinada na carreira da banda com seu convite aos delírios psicodélicos regados com sobras do Summer of Love. Give Out, but Don’t Give Up (1994), o álbum seguinte, denunciava que a banda surpreenderia com uma nova e abrupta mudança – sairam os timbres psico-dançantes e entrou uma releitura dub do bom e velho Rock’n'Roll: Vanishing Point (1997)
Com a dobradinha para ninar insanos XTRMNTR (2000) e Evil Heat (2002), ganhamos a trilha sonora pós-moderna para ninar insanos (Iggy & Stooges que me perdoem, mas…). O jogo estava ganho para o Primal Scream com estes dois discos, mas, depois de um álbum ao vivo e uma coletânea de hits, eis que a reinvenção bate a porta de Gilespie. Vamos voltar aos Stones agora: Riot City Blues é um tributo ao Rock’n'Roll classudo de Jagger e Richards; à melhor fase da banda. Impossível escutar Country Girl, faixa que abre o novo trabalho do Primal Scream, e não associá-la como prima distante (mas gostosinha) de Rocks Off – na minha opinião, uma genial faixa de abertura. O flerte com os Stones é antigo – Rocks, do já citado Give Out, But Don’t Give Up é um dos vários tributos que Gilespie e asseclas prestaram. Se interessar, vale uma dobradinha, depois de ouvir Riot City Blues, com Sticky Fingers e Exile on Main Street.
Não vou listar aqui as canções de Riot City Blues; não vou apontar o brilho que cada uma delas esconde. Escute-as; tire suas conclusões. Aproveite…

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