Musicofilia

Os 333 motivos para se manter longe do novo disco do BRMC

Por Alexandre Honório - 16/12/2008

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Não me venham com essa de que uma banda pode fazer qualquer coisa em nome da música; que vale tudo e que, aos fãs, resta somente lamentar. Não, não me venham com tal conversa. O que o Black Rebel Motorcycle Club aprontou ao parir seu novo disco, The Effects of 333, só encontra paralelo com a monumental cagada que Lou Reed fez ao despachar Metal Machine Music e um dedo em riste para os incautos. Isso não se faz, mesmo quando se percebe que o caldo está entornando – caso do BRMC.

Depois de três discos irrepreensíveis e um meia-boca – sim, Baby 81 é, como diria Tiago, “half-mouth total” -, como espécie de desculpa para uma completa falta de assunto, o BRMC despacha dez faixas com texturas, ruídos e outras firulas que, para o bom entendedor, bastariam para qualquer cristão, se não tivesse apreço pelo dinheiro, reciclar cada um dos discos da banda e mandar fazer uns bons porta-retratos.

O problema com The Effects of 333 é que se esquecermos o termo “masturbação musical” pouco sobra para enquadrar a “peça” que os rapazes de preto pregaram naqueles que teimaram no dia primeiro de novembro em acessar o site da banda e fazer o download de tal “petardo”. As trilhas de David Lynch para seus filmes mais parecem os álbuns das Ronettes perto do trambolho musical. Em suas dez faixas, quase não se ouve algo compreensível humanamente; algo que identifique a banda por detrás dos instrumentos: confesso que esperava que alguém, no dia seguinte ao lançamento, repusesse o bom senso dizendo que “a febre” que acometera Peter Hayes, Robert Levon Been e Nick Jago passara e que tudo voltaria ao normal. Bem não foi bem assim.

BRMCTalvez o pior tenha sido, por sua vez, perceber que, mesmo com toda reclamação até aqui escrita eu, como tantos outros, me predispus a desperdiçar tempo e paciência procurando o disco. Quando constatei do que se tratava, simplesmente não acreditei: durante anos havia lutado para não encarar uma experiência auditiva que pudesse me reconduzir ao martírio de “obras” do calibre de Lou Reed em sua fase “Jesus, estou deixando os Quaaludes” ou qualquer porra do Brian Eno e terminei enganado por uma maldita banda da Geração Strokes.

Pensar que o Black Rebel Motorcycle Club, juntamente com o White Stripes, pretendiam reconduzir meus ouvidos à redenção; pensar que quase fui convencido de que, pelo menos até agora, a pretensão que fora a marca da década de 80 pairava somente como uma mera lembrança. Ledo engano. Lembrando a frase clássica de Sir John Lydon em um auditório lotado em São Francisco nos últimos suspiros do Sex Pistols, de repente tive a impressão de ter sido enganado durante algum tempo.

De agora em diante, como sugestão de um amigo, volto outra vez aos discos com quase quarenta: lá há verdade (pelo menos até esses putos do BRMC gravarem um disco de verdade e, também como Lou Reed, provarem que tudo não passou de uma bela cagada)…

Em tempo: parece que a repercussão do novo trabalho foi tão ruim que até serviu como puxão de orelha para Hayes, Levon e Jago: o BRMC soltou na véspera de Natal, para os inscritos em seu site, a faixa A Fine Way To Lose (Drunken Demo) que remete às canções de Howl. A faixa comprova que os rapazes ainda guardam algumas cartas no bolso e que, mesmo com esse deslize chamado The Effects of 333, ainda se pode esperar – sabendo que eles estão em estúdio gravando um “álbum de verdade” – algo de bom.

Foto: Marc West

6 Comentários para “Os 333 motivos para se manter longe do novo disco do BRMC

Por isso sempre fico com dois pés atrás e espero os outros me passarem as dicas. Fico mesmo é escutando os antigos. Escutar um show dos Ramones em 1976 é sensacional. Simples e certeiro. Arrepia e instiga. Essas bandas novas parecem querer redescobrir o rock, mas passam longe com essas punhetagem musical.

carla comentou em 4/1/2009 às 11:09 am

nossa, como vc é dramático!

Drama? O disco é ruim mesmo…

Róger comentou em 6/1/2009 às 12:11 pm

Não escutei ainda, onde posso baixar? No emule nada… Não posso acreditar que eles fizeram algo tão ruim assim mesmo.

Yollanda comentou em 20/5/2009 às 6:17 pm

O disco é uma MERDA mesmo!
Eu fiquei besta que como Peter Hayes (nem digo os outros) fez uma tamanha merda!
Sim, só resta agora esperar que saia do forno um bom álbum.

Esse disco é sem sombra de duvida o pior álbum da banda. Até o howl (que é bem art-folk-lixo) fica bom perto dele. O BRMC só tem dois discos relevantes, os dois primeiros. O resto é uma mala repleta de sobras.

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