Musicofilia

Festival DoSol: Sem Lei de Incentivo, Mas Honesto!

Por Alexandre Honório - 09/08/2007

Confesso não entender muito bem os mecanismos, engrenagens, lorotas e afins que se estabelecem por trás das leis de incentivo à cultura do RN. Não entendo e, sinceramente, não sei se tenho o interesse necessário para me debruçar sobre o tema.

O que sei, e isto é um fato, é que, com a edição deste ano do Festival DoSol – que movimentou Natal no fim de semana que passou -, Anderson Foca periga mandar um claro recado para os “habitués das ‘muletas’ públicas” de incentivo.

O evento, seu formato e produção funcionaram bem na maneira concebida por Foca: duas casas – o DoSol Rock Bar e o Armazém Hall – que de modo às vezes não tão sincronizado assim revezavam as atrações. Nos três dias de festival foram 47 bandas e, podemos afirmar assim, se deu uma verdadeira maratona de rock’n'roll.

A produção, pelo que vi no primeiro dia do festival, esteve de parabéns: segurou a peteca com responsabilidade e fez, senão com a “pompa e circunstância” que muitos desejavam, um evento honesto. A alternância entre palcos foi uma boa idéia: botou o povo, na boa, para circular e interagir com os ambientes, pessoas, bandas, imprensa e produção.

No ano anterior o Festival DoSol pecou pela dispersão do público: a Rua Chile me pareceu grande demais para os que participaram do evento. A idéia dos dois palcos entre o Armazém Hall e o DoSol foi um boa sacada. Tudo bem que o som nos dois ambientes descambava em algumas apresentações, mas, mesmo assim, o saldo foi impressionante.

É preciso dizer ainda que – mesmo com o som apresentando problemas e a aparente irregularidade entre as bandas – o set satisfez os que se mostraram dispostos a encarar a parada.

Por sua vez, existe algo que também precisa ser dito e repetido sobre o Festival DoSol: Anderson Foca foi corajoso ao peitar a organização do evento sem as leis de incentivo à cultura. Um evento como o DoSol – em que toda uma cadeia produtiva é organizada e movimentada – não deve sair barato…

Diante desta iniciativa, acredito que o DoSol iniciará uma necessária reflexão e eventual redefinição destes mecanismos – especialmente quando estes, em sua grande maioria, detêm contrapartidas sociais, senão inócuas, inexpressivas.

Não acredito que o DoSol tenha conseguido fechar seu último dia com algum lucro; creio que Foca e seus colaboradores terão alguns dias com “dores de cabeça” a saldar. Entretanto não julgo isso como um ponto negativo: experiência e acertos decorrem de experiências como essa.

O público de rock’n'roll apático, uma cena que não une, bandas que não se entendem (ou quase não) e o inexpressivo apoio aos eventos locais – exceto quando tais ocorrem sob as “asas” das muletas de incentivo à “cultura” e os “parceiros” podem sair “no lucro” – contribuem para que iniciativas como o DoSol nos impressionem.

A sexta-feira do DoSol – único dia em que pude conferir o evento – me provou que, com esforço e algumas parcerias – é possível movimentar qualitativamente o cenário local.

Ok, dirão alguns, que o Foca investiu o que não tinha no evento por não conseguir acesso às leis: entretanto, espero, como conversamos durante o primeiro dia do festival, se tal iniciativa se confirmar como tal poderemos questionar alguns “deslizes” na concessão de tal benefício para outros eventos.

Respondendo a pergunta que Foca me fez na sexta-feira: o Festival DoSol foi honesto e, contrariando o que possam dizer, funcionou muito bem neste formato. Esqueceu a grandiosidade eventual e apostou, com razão, na sua real dimensão: ser um “grande” festival não significa ser honesto com suas pretensões.

O Festival DoSol conseguiu mandar seu recado muito bem. Quem não entendeu a ironia por trás do evento que trate de fazê-lo…

18 Comentários para “Festival DoSol: Sem Lei de Incentivo, Mas Honesto!

Tiago Lopes comentou em 9/8/2007 às 5:50 am

Só pude ver a primeira noite do evento e, caso algum dos produtores leiam esse texto, gostaria que respondessem às seguintes perguntas, se possível:

todas as bandas que tocaram no festival receberam algum tipo de pagamento (fora os usuais “receberam um espaço pra tocar” e “cervejas de grátis”)?

por que o preço do ingresso da edição desse ano (sem a grana da lei de incentivo) continuou o mesmo da edição do ano passado (com a lei de incentivo e patrocínio do BB)? o preço já estava assim tão alto ou quiseram poupar o bolso dos pagantes?

podem divulgar o valor arrecadado pela bilheteria durante os três dias de evento?

foca comentou em 9/8/2007 às 6:27 pm

Texto legal. É bem por aí. Pretendo sim usar as leis contanto que elas sirvam para patrocinar a vanguarda, o novo, o inusitado. Lei de incentivo para fazer show de banda grande é uma vergonha sem tamanho. E isso serve para todos os tipos de show, do forró ao rock.

As bandas locais não receberam nada para tocar, este foi o apoio delas para que o evento acontecesse. Antes disso tivemos reuniões onde coloquei a planilha do evento, quanto íamos ter que gastar para faze-lo e tudo mais. Quem aceitou tocar assim, aceitou porque achou que valia a pena. Duvido que alguém tenha se arrependido com raríssimas excessões.

O preço do ingresso foi o mesmo do ano passado porque fizemos a seguinte conta. Ano passado conseguimos levantar uns 105.000 para fazer o evento. Gastamos com estrutura maior, programas de televisão, mais mídia, bandas mais caras e o evento custou 160.000 no total. 55.000 precisava ser levantada de bilheteria (o que quase naum aconteceu).

Para esse ano partimos com a planilha mínima de exatos 55.000 para realizar o evento sem um único real de apoio ou patrocinio. Por isso que foi o mesmo preço. Muita babaquice de alguém (não tô dizendo que é sua) achar que 10 reais para ver vinte bandas é um valor alto, desculpem o mau jeito, mas é babaquice. Lá no bar a galera paga isso para ver metal e algumas bandas de fora. A entrada do mesmo armazém hall (onde rolou o dosol) pro show do dado villa lobos é 25 reais.

Quanto ao que foi arrecadado da bilheteria (que não chegou nem perto de cobrir os custos) não precisa a gente divulgar, porque graças aos deuses do rock, a dosol é uma empresa particular que não deve satisfações a quase ninguém. Tá dito? Abraços jovvem!

foca comentou em 9/8/2007 às 6:54 pm

Só mais uma coisa. Tiago, é seu direito solicitar a planilha de quanto está sendo gastos nos projetos que estão (ou já foram) enquadrados nas leis municipais e estaduais. Lá sim, você tem todo direito de saber, porque é a sua grana que está sendo usada.

O Festival Dosol tem dois anos na lei, tem as prestações de contas todas feitas, entregues e revisadas. Ficamos com a clara impressão de que quem faz as coisas direito termina sendo prejudicado quando se trata desses assuntos. Mas foda-se, festival independente (que usa esse nome) é aquele que se vira para acontecer independente de qualquer coisa ou em qualquer circustância.

Só para deixar claro uma outra coisa, nós estamos enquadrados na lei municipal normalmente só não conseguimos captar o patrocínio. Na lei estadual (uma vergonha sem tamanho) não conseguimos conseguir o dinheiro do patrocinador porque a verba que o estado disponibilizou não durou nem dois meses para acabar. Um recorde!

Se vou fazer alguma coisa para mudar esse quadro? Não! Quem realmente quer fazer as coisas não fica chorando pelo canto, arregaça as mangas, bota a cabeça para funcionar e faz. Quem quiser trabalhar em função da lei (outra vergonha e tem um monte de gente desse jeito) que vá defender seu quinhão nas entranhas das fundações.

Faço a minha parte individualmente, tem várias pessoas aqui do meu lado e e volta que tbm fazem e assim a roda gira.

Aproveitei o espaço para dizer um monte de coisas, desculpem se eu me alonguei. Esse Dosol eu dedico ao grande Vlamir, esse sim um cabra de peia, um guru, um mestre. Esse rock vai para você Vlamir!

Tiago, agora acho de bom tom repassar estes questionamentos para os organizadores do Aratu no Facho e Muitos Carnavais: os dois eventos têm suas demandas atendidas pelas leis de incentivo e nos últimos cinco anos os preços para os participantes não foram nada populares…
Acho o questionamento pertinente, claro, mas, sabendo que o público “ubber-cult” de Natal tem receio de meter a mão no bolso para qualquer coisa, cabe outro questionamento: os eventos em Natal são realmente caros ou a disposição deste pretenso público para o consumo de cultura (ou produtos culturais) é insignificante?

Eu sou do tempo de Vlamir… Sabe o que é que quer dizer isso? Sem dinossaurismo ou amargura… só pegando minha parte do direito histórico e à velha armadura – de fazer as coisas numa cidade que pouco se faz e muita se fala, sem memória… Fazíamos numa época ainda mais que sem leis: sem cds, sem rádios, sem estúdios, sem lugares para shows, sem bares assim para tocar, sem pôrra nenhuma… inventávamos tudo: inclusive platéia (para não ser teia de aranha) – e tudo autoral, sem essa de cover, de modismo, era “música de dentro mesmo”, às vezes hermética”, na contra-mão. AGORA TEMOS UM LUGAR AO DOSOL, E OUTROS FOCAS – O MADA, & OUTROS HONORÁRIOS: ALEXANDRE O GRANDE E SEUS DISRUPTORES, O LIMBO, A VELVET DISCOS, MUDERNAGE, NALVA MELO, ETC. Parece pouco? E é? Muito pouco! Pouco até demais! Então VAMOS multiplicar. O debate aqui é SUPER-VÁLIDO! Agora quanto aos preços de certas coisas… A galera aqui tá muito (mal) acostumada a questionar tudo quase por esporte (não estou dizendo que seja o caso ou acaso em questão, peço desculpas se pareceu então). Mas aproveito para colocar isso na pauta que pariu! Marcelo da Velvet tá movendo montanhas e ampliando a loja para fazer um puta “micro-café”, e antes do espaço abrir já tem gente questionado os preços. Como já tem a micro-livraria” Limbo que é super legal, mas vende pouco. Agora se “a galera indie” ou mesmo nem tão indie assim, reclama tanto que não acontece nada na cidade, reclama de QUALIDADE… ora, não existe isso, essa re-volta, sem esse re-preço… Nem se precisa ir a Sampa, basta Recife… Senão o lance é ir buscar literalmente outra “alternativa”, ou mandar tudo para a cult que… Não! Não foi essa cult que me pariu! Win Wenders e aprendendo: “olhos não se compram”.

Denise comentou em 10/8/2007 às 6:10 am

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Pois é, como eu disse, esperei sentadinha no meu banquinho e vi acontecer um dos melhores festivais de música independente. Por que o cenário todo ajudou, as bandas, mesmo as de fora, deram suas contribuições e fizeram o Festival DoSol 2007 ser memorável!

Todo mundo interagindo, tudo acontecendo como deveria, e a resposta, tanto de quem veio de fora – bandas que alongaram sua estadia pra poder ficar mais tempo no Festival e em Natal, como a pouca porém seleta imprensa que cobriu – quanto do público foi fantástica!

Foi cansativo, foi! Mas valeu a pena cada pernada de um lugar pro outro, cada centavo gasto ali.

Eu sei que tenho o Festival como um filho, e babo mesmo, mas esse ano acho que foi totalmente publicamente reconhecível o orgulho de quem ajudou de alguma forma a fazê-lo acontecer, bem como o de todos os presentes em todos os dias. É um orgulho Natal poder mudar e deixar de ser “fim de mundo” pros melhores shows de rock do país.

A energia positiva no evento era sensível, e quando se faz o que gosta e acredita, como Foca e Ana tem coragem de fazer, não tem como dar nada errado!

E que todos se lembrem que não são só os 3 dias de Festival DoSol, mas sim, todas as prévias, lançamentos e programação o ano inteiro que só o DoSol consegue trazer pra cá. Ou alguém se lembra de algum outro lugar em Natal que tivesse feito o mesmo antes?

Isso sim, é o rock, minha gente!
E tenho dito!

=D
.

Denise comentou em 10/8/2007 às 6:14 am

.
Isso de Tiago é dor de cotovelo por não ter ficado com crachá d imprensa? Podia ter ido os outros dias que Alexandre não foi, pelo disruptores, era só ter me avisado =P

Que, aliás, os dias mais rock’s e insanos. Shows fodas!

|m|_

.

Parabéns a quem sabe fazer as coisas acontecerem, independente de qual seja a situação!

Tiago ninguém é culpado pelo teu liseu, amigo…
Larga essa vida de penúria!

Tiago Lopes comentou em 11/8/2007 às 8:34 am

Quando eu perguntei o que perguntei, não foi com deboche não, eram realmente dúvidas que eu tinha desde que comecei a frequentar esses festivais feitos aqui. Não só a frequentar, mas analisá-los (com respaldo ou não, quem decide é quem lê). Acho válido sim saber se as bandas que tocam em um festival são pagas ou não, já que a grana do ingresso que eu pago deveria ir TAMBÉM pra quem eu quero ver em cima de um palco. Agora sei que a maioria delas não são pagas (e não se incomodam com isso) e, devido a má leitura feito por alguns dos que viram os questionamentos, ainda levei duas (desnecessárias) patadas, uma da assessora do festival e outra do editor do site.

Mas Honório, tira aí uma dúvida. Desde quando um festival de “roque” detêm uma “contrapartida social” mais “expressiva” do que um festival de quadrilhas juninas, por exemplo? Você tem razão quando fala que “diante desta iniciativa, acredito que o DoSol iniciará uma necessária reflexão e eventual redefinição destes mecanismos”, mas, excetuando-se a resposta dada por Foca, o resto dos comentários não foram além do romantismo besta e do desdém feito a perguntas pertinentes.

Se mama nas tetas do Público – com capitular, para distinguir da patuléia -, tem que ter contrapartida social, sim, Tiago.
“Contrapartida social” deveria ser algo relevante, pungente, e não a mera troca de notas fiscais por ingressos ou outras ações incipientes – me refiro ao universo dos eventos, claro.
Exemplo: o Abril Pro Rock deste ano implementou o “ingresso social”. O camarada que queria ganhar um desconto no ingresso pro APR – e não era estudante – levava um quilo de alimento não perecível e ganhava desconto.
Os alimentos então, ao fim do evento, foram repassados para instituições, escolas, casas de assistência e outras organizações com fins semelhantes…
São ações como essa – e não a mera troca de Notas Fiscais e renúncias de todo gênero (sem muita transparência pro cidadão comum) que julgo relevante.
E, só pra registrar, o “editor” desceu o sarrafo porque julgou pertinente tal “afago”…

E concluindo: Festival de Rock e Quadrilha Junina são, cada um a sua maneira, expressões culturais e, claro, socialmente inseridas.
Se estas detém tal particularidade e, para sua realização, necessitam dos “augúrios estatais”, têm, sim, que proporcionar uma contrapartida à comunidade em que estão inseridas…

foca comentou em 11/8/2007 às 11:04 am

Tiago, por isso que acho que festivais como o Dosol devem sim tentar se viabilizar junto a patrocinadores ou coisas do tipo. Exatamente para poder gerar boas energias em toda a cadeia produtiva da música (como pagar um cachê para as bandas pro exemplo).

Do bolso eu não consigo fazer isso nem em show no dosolrockbar (onde as bandas só ganham alguma grana se também entrarem como produtoras dos eventos e eles derem algum lucro), até porque a bilheteria arrecada não nos permite tal pagamento. Bandas valem o quanto levam de público, essa lei ninguém vai mudar.

Se eu continuar (e vou continuar) fazendo o festvial mesmo sem patrocínio vai chegar uma hora que as bandas relevantes e mesmo pessoas bacanas que nos ajudam hoje já terão dado sua contribuição e não estarão dispostas a fazer isso de novo. Aí o que já é perto do impossível – que foi o que fizemos esse ano- vai ficar impraticável de ser realizado!

Essa ultima colocação de Foca é a verdade: fiz o MADA durante 4 ( quatro anos) sem lei de incentivo, sem patrocinio direto e numa epoca que ninguem sabia o que era festival de bandas indies em nosso RN. Hoje a realidade é totalmente diferente, mais facil eu diria, mas voltando ao que foca colocou, conseguimos durante um tempo fazer sem grana de patrocinio, sem lei e com a boa vontade de muitos, mas depois de um tempo isso se torna quase impossivel, pois todos tem suas responsabilidades e necessidade de sobreviver – por isso é muito complicado realizar varias edições sem dinheiro. E quanto a Lei , precisa ser revista mesmo, e fazer um levantamento dos eventos que utilizam e o retorno que eles dão ao RN – se conseguissemos pelo menos isso – muitos nao teriam mais chances. E Parabens para o Foca pelo Dosol, realmente o espirito é esse, se nao tem, vamos fazer assim mesmo, como ja fiz durante 4 anos a minha cota de sacrificio, e mesmo com patrocinio levei também grandes tombos – mas é assim mesmo, tem que rolar: nao podemos ficar esperando.

Marcelo Morais comentou em 12/8/2007 às 9:00 pm

Para se fazer um festival de rock aqui em Natal, como o Dosol, ou do MADA, é necessário realmente muita ousadia, até pela falta de tradição roqueira na cidade, que costuma lotar shows de Ivete Sangalo e pagar R$ 40.00 num ingresso, sem problema, mas tem pena de pagar (claro que são públicos diferentes), sei lá, R$ 12.00 ou R$ 15.00, para ver vários grupos, de uma forma geral, mais interessantes.

Belo texto Honório.
E ótima discussão suscitada.
Bons questionamentos, boas respostas e um saldo positivo: um grande evento realizado a partir de trabalho, iniciativa e brodagem.

Interessante esta discussão em torno das leis de incentivo. Faço parte do Jovens Escribas e muitas das ações que conseguimos viabilizar foram graças a estas leis. Jamais conseguiríamos a publicação de 8 livros com recursos próprios (livros, diga-se de passagem, com excelente acabamento gráfico, papel de primeira, impressão perfeita e outros recursos que tornam o produto atrativo, porém mais caro).

O importante, porém, é usá-la para criar um mercado. Se eu publicar meu livro, tirar minha grana e deixa por isso mesmo, ok, a lei foi boa mas não cumpriu seus propósitos totalmente. Se eu publico um livro e uso isto para gerar ações, discussões, fomentar a produção e fortalecer um mercado, bom, a lei já se torna mais interessante.

É isto que o Jovens Escribas vem buscando e é isso que alguns (poucos) produtores de cultura do Estado também tentam. Claro que nos esforçamos para não depender apenas da lei, em ter um patrocínio direto ou ser completamente auto-sustentáveis. Mas blábláblá (vocês já conhecem a história), por isso estamos tentando usar a lei da forma mais adequada.

Uma única e grande diferença entre os dois festivais daqui: o local.

O MADA saiu da Ribeira e foi a Via Costeira para ganhar com público, patrocínio, tamanho…

Muitos que olham a Ribeira com olhos de preconceito, olham a Via com olhos de luxo. Hotel, camarote, tenda eletrônica…Claro que muito disso é por conta do patrocínio, mas também é responsável por levar parte do público para lá. Outros atrativos fora do rock. Ou do rock independente. Basta ver a avalanche de gente quando vai começar o último show da noite. As que vem antes são vistas, mas não pela maioria do público. Já no DoSol só vai quem quer mesmo. E esse papo de não pagar porque tá caro é lorota, da braba. Qualquer birita, de vergonha, sai R$ 10.00.

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