Por Alexandre Honório - 11/07/2008

Não consigo pensar em um adjetivo menor que brilhante para ilustrar minha impressão sobre “Wall-E”. O novo longa de animação da Pixar/Disney é espetacular em todos os seus atrativos e sentidos – contrariando aqueles que teimam em torcer o nariz para o gênero ou os que ainda deliram imaginando longas de animação como uma alternativa para apaziguar os ânimos da criançada entre férias.
O trabalho de Andrew Stanton (o nome por trás de clássicos como “Procurando Nemo”) – foi dele a idéia posteriormente roteirizada por Jim Reardon – é a comprovação de que, sim, a Pixar continua a insistir e tentado superar os limites da animação em longa-metragem ou de como contar uma boa história: é nisso que reside alguns dos atrativos de “Wall-E”, mas não todos…
Uma parte significativa deles, por sua vez, está dispersa nas nuances que o longa reserva ao espectador. O filme é um tour de force em animação que, mais que oferecer um apanhado de imagens computadorizadas de “criaturinhas fofas” e temas dessa envergadura, nos convida a partilhar de uma fábula que pretende nos arrebatar senão pelo verossímil ao menos pelo fantasioso singelo.
O robô-personagem Wall-E detém aquela substância lúdica que, a meu ver, vem perdendo seu lugar. Resgatar este sentido me parece uma das chaves incontestáveis do filme: se esta é a metáfora buscada por seus idealizadores, bem, eles acertaram na mosca. O robô que empresta seu nome ao longa é a persistência da memória dos que se foram; um coletor que recolhe pedaços de alegrias, de vidas e prepara um mundo que pretende e espera sua humanidade.
É com esse eixo e um sem-número de referências – desde Chaplin passando por Hal-9000 – que nos deliciamos – e, claro, com os movimentos que Wall-E realiza para conquistar os bits de EVA. Por sua vez, é justamente quando o “encontre e aponte” das referências se dispersa (ou não resiste ao brilho que salta da tela) que o filme ganha em harmonia e beleza; quando o humano desponta nas placas de metal de Wall-E ficamos, sim, boquiabertos – principalmente quando este sobe às estrelas perseguindo sua musa.
É notável, por isso, o investimento que os estúdios fizeram na tentativa de aproximar o real da fantasia: a cinematografia em “Wall-E” é, superando trabalhos anteriores, impressionante – deixando pra trás pesos-pesados do gênero como “Procurando Nemo”. Os planos mais contidos deram lugar a planos abertos que inserem o espectador na atmosfera solitária em que o robô convive; somos, com as texturas e dimensões das imagens, como que tomados pela solidão de Wall-E (até, claro, a chegada de EVA).
É com esta condição de fábula que temos em “Wall-E” um brilho que faz desta criação da Pixar seu melhor achado; sua jóia sem retoques; aquela que detém rios de uma substância bastante particular: como um Carlitos, Wall-E nos toma pela mão para nos fazer rir e chorar sem nos darmos conta de que tudo isso acontece em um piscar de olhos: sem dúvida, um longa de animação com cara de marco.
[...] 8- WALL-E COM CARA DE CLÁSSICO [...]
Alexandre Alves comentou em 1/8/2008 às 7:57 am
Dormi nos primeiros 30 minutos devido à ausência de diálogos, típico de filme de arte, tipo cinema novo, tipo “Vidas secas”, de Nelson Pereira dos Santos. A animação não é para crianças, as críticas sociais são claras para os adultos, mas “clássico”…?! Ah, sim, só acordei porque me lembrei que o ingresso custou muito caro…
Tiago Lopes comentou em 11/8/2008 às 12:27 pm
Burro. Você deve achar que a maior influência do… sei lá, Antonioni, foi Tom e Jerry.
Fialho comentou em 15/8/2008 às 5:31 pm
Foi o melhor filme que eu vi este ano.
Anos luz a frente dos outros.
Breno Machado comentou em 17/8/2008 às 7:22 pm
Ditto.
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