Cinemascópio

Trovão Tropical escorrega ao tentar esconder suas intenções

Por Alexandre Honório - 14/11/2008

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Minhas sinapses sentem falta do modo “Robert Altman” de fazer comédia. Sentem falta, sobretudo, de um modo de fazer rir que, mais que fazer rir, nos levava a pensar o porquê do riso. Gargalhar, mas com certa substância e não o riso pelo riso – assim envolvido por qualquer coisa escatológica ou de mau gosto. Dito isso, foi assistindo “Trovão Tropical”, de Bem Stiller, quase esqueci – apenas nos primeiros minutos – que aquele se tratava de mais um filme do ator-diretor que pariu “Zoolander”.

A verdade é que os primeiros trinta minutos de “Trovão Tropical” mostram um filme interessante e Stiller acerta com uma premissa bastante inusitada: uma espécie de “sarro metalingüístico” com o cinema, sua indústria e astros – como um Jack Black junkie e que só se mete em furadas (estrela de filmes em que a flatulência e maus hábitos de seus personagens são os motivos dos risos) ou um Robert Downey Jr. incorporando o “super-ator” australiano capaz das mais insanas bizarrices (até escurecer a própria pele) para “chegar” ao espírito do personagem.

Mas esta é apenas a primeira metade do filme. No geral, “Trovão Tropical” corre contra o relógio buscando compensar o espectador pela aparente falta de conteúdo que caracteriza boa parte da trama. Assim, com referências a filmes, estéticas e manias “comuns” a Hollywood, busca desviar a atenção de um fato evidente: que seu roteiro não daria um episódio de um bom seriado médio de humor – como “30 Rock”, “The Office” ou mesmo “The It Crowd”.

Ben Stiller acerta ao centrar as lentes nos estereótipos e mitos em voga na indústria hollywoodiana – o mega-produtor-pitbull (Tom Cruise), o escritor bem sucedido que vê seu livro finalmente filmado (Nick Nolte) e o diretor cult inglês (Steve Coogan, em uma caricatura verdadeiramente hilária) -, mas fica nisso.

O filme de Stiller é relevante nas citações; nas referências que o diretor faz aos clássicos do gênero – como quando o prisioneiro Jeff Portnoy (Jack Black) chama por Radar (personagem de M.A.S.H) ou mesmo na descarada tiração de sarro com filmes do naipe de Platoon (com direito a resgate “rambabesco” e tudo).

Entretanto, isso não segura a confusão que termina por prejudicar o resultado final. A começar pelo roteiro – que descamba rapidamente em direção oposta àquilo que inicialmente pretendia alfinetar – “Trovão Tropical” diverte, mas logo se transforma em algo que tenta esconder a pretensão do diretor/ator Ben Stiller em refinar seu próprio formato – a comédia investida de gags escatológicas e non-sense americanizado.

No fim, o filme vale somente pela impagável interpretação de Robert Downey Jr. como o “bardo australiano que pretende o Harlem” e pelas participações especiais de atores que, creio eu, devem ter lido as vinte primeiras páginas do roteiro. Senão isso, no melhor estilo meio-a-meio, não vejo outra explicação para terem caído na de Stiller.

Um Comentário para “Trovão Tropical escorrega ao tentar esconder suas intenções

Mauri comentou em 27/12/2008 às 6:34 am

O filme realmente nao e ruim, mas deixa a desejar. Da p assistir e dar algumas boas risada. E como o cara ja disse aí…Robert D. Jr mandou mto bem em seu papel. Eu ria so da cara dele hehehe…e gostei da atuação do Tom Cruise tambem!!

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