Cinemascópio

E então mais um herói das HQs vai pra vala em produção de quinta

Por Alexandre Honório - 14/03/2007

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Mark Steven Johnson. Guarde este nome na cabeça. Daqui a alguns anos, quando alguém analisar o flerte entre quadrinhos e cinema, o cidadão em questão será lembrado como o pior dentre os diretores/roteiristas que, em algum momento, decidiram transpor às telas personagens clássicos das HQs. Steven, além do recente O Motoqueiro Fantasma (sobre o qual trataremos em seguida), foi responsável por duas belas “bombas” do gênero: O Demolidor e Elektra, respectivamente como diretor/roteirista e roteirista, o “gênio da raça” conseguiu jogar na lata dois personagens que renderiam boas produções.

Agora, não bastasse o estrago que o fulano causou a dois dos meus personagens de HQs favoritos, larga a mão e manda mais um para o saco: O Motoqueiro Fantasma. O personagem por si é clássico: um motociclista que viaja pelos EUA realizando acrobacias e que, para salvar a vida de um amigo, vende sua alma ao capeta. Como todas as histórias deste tipo – desde o Fausto de Goethe – o pobre Johnny Blaze come o pão-que-o-diabo-amassou e transforma-se no “espírito da vingança”: tranforma-se em um vigilante com um crânio fumegante sobre os ombros e pilota uma motocicleta dos infernos.

Como disse, tem que ser muito ruim para estragar uma história como esta. Lembro que durante boa parte da década de 80 colecionava, através da extinta “Superaventuras Marvel” muitas das histórias do cidadão. Adorava – e ainda adoro – ler sobre a alma atormentada de Johnny Blaze e sua noção particular de justiça divina. “Ok, ok! Mas e o filme?”. Bem, é um lixo; algo que merece ser esquecido como a versão de O Justiceiro, de Johnathan Hensleigh – patético, no pior sentido do termo.

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Cartaz de O Motoqueiro Fantasma longa meia-boca de Mark Steven Johnson: mantenha distância!

O filme é deprimente. Em primeiro lugar, a escalação de Nicholas Cage para interpretar Blaze foi, no mínimo, um fiasco. Tudo bem, o senhor Nicholas Kim Coppola adora HQs e, pra não ficar à sombra do tio famoso, escolheu o Cage de Luke Cage como sobrenome artístico – segundo ele, uma homenagem ao personagem blaxploitation dos quadrinhos -, mas daí a encarnar o Motoqueiro Fantasma é mais quinhentos.

Os melhores momentos de Nicholas Cage no longa são justamente aqueles que antecedem sua transformação no “bardo infernal”. Dali por diante, os efeitos especiais tomam conta e levam a gurizada ao delírio. Os efeitos visuais talvez sejam os principais atrativos do longa – Mark Steven, o diretor, adora um apuro visual exagerado: as imagens parecem saídas de alguns daqueles video-clipes megalomaníacos de rappers norte-americanos; tudo cristalino e liiindo! Em resumo, uma boa bosta.

O diretor perde a mão quando repete a fórmula “não-li-as-HQs-mas-quem-se-importa” e se dana a empurrar personagens “mauzinhos” e outras “firulagens” mais. O único grande acerto de todo o longa é, sem a menor dúvida, a escalação de Peter Fonda – o eterno Easy Ryder – no papel do capeta Mefistofeles. É ele que barganha a alma de Johnny Blaze e depois volta pra cobrar o “retorno”.

Em linhas gerais, mesmo com todo o anti-glamour que reside na trama do Motoqueiro Fantasma – falo dos quadrinhos –, este não conseguiu salvar o personagem da incompetente direção de Steven. O problema, por sua vez, é que para alguns vale a pena transpor de qualquer forma um clássico personagem de HQs para as telas. Avi Arad, produtor e responsável pela condução de alguns projetos cinematográficos vinculados à marca Marvel, acredita que vale tal esforço: um longa menor, com diretores menores e sem qualquer interesse na manutenção de um mínimo de categoria, mas que rende boas cifras. No final, todo o frisson perde o sentido.

As melhores adaptações já feitas para as telas de histórias e personagens envoltos pela Nona Arte sempre foram aquelas que respeitaram a constituição destes (Estrada para a Perdição, Marcas da Violência, Tank Girl), sua mitologia (Homem-Aranha, X-Men, Hellboy) ou sua estética (Sin City). Portanto, se tiver que gastar alguns reais para assistir este longa, guarde seu dinheiro e espere o fim do mês: 300, de Zack Snyder, justificará cada centavo gasto na sessão.

7 Comentários para “E então mais um herói das HQs vai pra vala em produção de quinta

Tiago Lopes comentou em 15/3/2007 às 4:17 am

Você viu esse filme??

Sim, paspalho…
As comodidades da vida moderna – principalmente aquelas proporcionadas pela Internet – são motores de maravilhas…

Aristeu comentou em 16/3/2007 às 10:02 am

Vocês assistem cada besteira.

Nem só de cinema europeu vive o homem, Aristeu… Além disso, como poderia saber que um dos personagens mais bacanas da Marvel ganharia uma adaptação tão capenga?
Não presta nem como desculpa pra comer pipoca…

Aristeu comentou em 18/3/2007 às 11:19 am

Bastava ver o trailer…

Mas, é como o disco do Cansei de Ser Sexy: tem que escutar para poder descer o pau com propriedade!

Leonardo comentou em 16/7/2007 às 3:44 pm

Eu vi e gostei muito!!! \
mas q dia que vai tar noscinemas ou nas locadoras?????

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