Por Alexandre Honório - 17/10/2009
Com Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino uma vez mais desanca seus detratores e se reinventa. Não que em algum momento de sua carreira ele tivesse simplesmente perdido a mão ou a criatividade para contar uma boa história, mas, com sua pequena fábula sobre vingança e violência, o diretor se sobressai e de quebra, mesmo que jure de pés juntos não se importar com isso, emenda um bom “cala a boca” naqueles que insistem em considerar sua produção um exercício monotemático – e estes são muitos, diga-se.
Tarantino faz filmes pra si. Talvez este seja seu trunfo e o problema dos que o acusam de fazer um cinema excessivamente impregnado de referências. É fato que Tarantino carrega nas tintas, mas é saudar com o que há de mais pop nesta cultura contemporânea. São estas referências combinadas – este apreço ao mais descartável pop que o rodeia, a estas múltiplas possibilidades de reinvenção da narrativa – que separam/conciliam o kitsch e a vanguarda que revolvem sua filmografia e a transformam em uma das mais interessantes e indispensáveis deste e de qualquer século.
Se em Bastardos Inglórios, desde os créditos iniciais até os créditos finais, Tarantino dialoga com uma cultura diversa, passeando por um sem número de gêneros e referências tão distantes quanto a Nouvelle Vague, o cinema expressionista e o Western Spaghetti, com pitadas aqui e ali de auto-referencialidade, é porque o diretor procura, sobretudo, uma platéia que compreende suas aspirações e com ele se harmoniza. Para Tarantino, um bom filme é, sobretudo, uma experiência de tirar o fôlego, elaborada e complexa; algo que provoca, seduz e procura o repertório igualmente complexo do espectador.
Assim, há uma razão para que Brad Pitt pareça uma combinação feliz de estereótipos cinematográficos – especialmente quando incorpora uma homenagem enviesada com um John Wayne on crack: é porque Pitt é uma síntese da complexidade pop em estado de graça. Como o Tenente Aldo Rayne, líder dos Bastardos do título, Pitt torna-se outro dos personagens emblemáticos, caricatos e embebidos numa cultura popular reativa que se enredam na galeria de tipos de Tarantino – e figurando em pé de igualdade com outros nomes como Vincent Vega, Beatrix Kiddo ou Mr. Orange .
O contraponto à performance de Pitt, por sua vez, como uma síntese de todos os estereótipos possíveis em torno do “mocinho” norte-americano, tem nome: Coronel Hans Landa, “o caçador de judeus”. Interpretado com maestria por Christoph Waltz, Landa é um vilão de primeiríssima grandeza; uma bruxa má até o osso; um personagem brilhante e inesquecível desde o momento em que aparece na tela. O personagem de Waltz, juntamente com o tenente insano de Pitt, representam os dois pólos em conflito em todo o filme.
Bastardos Inglórios, como disse, é uma fábula sobre vingança. Mas não de qualquer tipo: daquele que transtorna o espectador e que nele deixa impresso um sorriso de uma ponta a outra do rosto de satisfação. Da primeira a última cena é possível perceber um tipo de reação que poucos filmes são capazes realmente de imprimir: acordo.
O espectador, para o bem ou mal, deixa a sala de exibição com um sentimento de satisfação inexplicável. Talvez por ter assistido um filme brilhante de um diretor que tem sabido se manter no topo; talvez por algum tipo de satisfação sádica em acompanhar a “dança da vingança” orquestrada por Tarantino; talvez por simplesmente reconhecer a caricatura que o banho de sangue ensaiado no filme exibe.
No fim prefiro crer que o motivo desta satisfação compartilhada se dá por percebermos que Quentin Tarantino, em duas palavras, é f#%$.
Hugo Morais comentou em 20/10/2009 às 1:04 pm
E me acha fodaaaaa
Assisti onde. Melhor filme do ano. E no fim, antes da suástica na testa de Landa, um errinho de continuidade na gravata destada de Aldo.
O riff que antecede Hugo Stiglitz é demais. hahahaha Ri muito.
Hugo Morais comentou em 20/10/2009 às 1:06 pm
Aproveitando… Veja isso: http://www.youtube.com/watch?v=NmBKavRRGqQ
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