Cinemascópio

Filme-solo de Wolverine é tiro no pé da franquia X-Men

Por Alexandre Honório - 09/05/2009

wolverine_origins

Talvez o melhor comentário sobre X-Men Origens: Wolverine é que franquia degringolou de vez. Antes que você pergunte se deve ou não assistir o filme, responderei com franqueza: não vale o esforço. Espere até Bryan Singer decidir se encara o próximo filme do filão – X-Men: First Class, algo como os X-Men aprendendo o que diabos é ser mutante – e, com os dedos cruzados ainda, reze para que ele reconduza a franquia ao devido lugar.

X-Men Origens: Wolverine se equilibra entre o samba-do-crioulo-doido-com-mutantes-e-vilões-em-demasia e qualquer coisa. Você deve se lembrar o porquê de X-Men III ter sido considerado o pior das três produções: mutantes demais, história de menos. O filme-solo de Wolverine sofre do mesmo mal. Em muitos momentos a profusão de mutantes, imagens e efeitos especiais – estes, tanto meia-boca – praticamente obrigam o espectador a pedir que alguém salve aquele roteiro.

O problema é que Wolverine é um dos personagens com uma das histórias mais complexas e, porque não, remendadas da Marvel. Até recentemente um esquadrão de autores se prontificaram a colocar alguma ordem na história do personagem com resultados interessantes – especialmente quando Logan termina por fincar suas garras em solo nipônico. Explicar isso para um diretor como Gavin Hood deve ter sido uma tarefa complicada.

Tem tudo lá: Origem, Wolverine: Arma X, etc. Entretanto, diferente dos quadrinhos – bem diferente, por sinal -, a profusão de referências, personagens, elementos afasta o espectador. Simplesmente confunde qualquer tentativa de compreensão do que se desenrola ali. Tudo parece organizado como uma sucessão de peças que, mesmo quando não encaixam, são dispostas procurando a construção de algum sentido que possa manter o espectador até o fim do seu segundo ou terceiro saco de pipocas – porque, no fim, o filme só valerá por isso mesmo.

O que Gavin Hood, diretor de X-Men Origens: Wolverine conseguiu foi criar um ninho de mafagafos cinematográfico que tem em um dos personagens mais cultuados das histórias em quadrinhos o seu suporte.

O grande mérito, entretanto, por detrás de todo o filme reside na polêmica em torno de sua “distribuição” antecipada. O que X-Men Origens: Wolverine não possui em termos de relevância, ganhou em polêmica quando uma de suas cópias inacabadas vazou providencialmente na Internet. Apesar de se tratar de uma cópia sem os “arremates” muitos tiveram o “gostinho” de ver o que os esperava nas salas de cinema.

A polêmica foi tamanha – e já tratamos dela aqui – que um articulista norte-americano terminou sem emprego depois de resenhar a belezura. A verdade, no fim, é que X-Men Origens: Wolverine ganhou um pouco mais de vida útil nas telas em decorrência do episódio. Muitos certamente ficarão curiosos para conferir as diferenças ou mesmo, por uma curiosidade meramente técnica, o que um filme inacabado tem.

Particularmente, como disse no início, como tentativa de reinício de uma franquia promissora, o filme do “baixinho enfezado” dos quadrinhos não se saiu muito bem: o resultado final que prometia – e detinha pontos para tanto – um pouco mais do que havia nos filmes dos X-Men e que fez deles sucesso de bilheteria ficou só na promessa.

Assim, como alternativa, vendo o lado bom nisso tudo, aproveite os relançamentos em quadrinhos e confira porque Wolverine é um dos personagens mais cativantes das HQs.

Seu dinheiro agradece…

3 Comentários para “Filme-solo de Wolverine é tiro no pé da franquia X-Men

Esse filme acabou com meu dia quando fui ver no cinema. Mas existe coisa pior: Spirit me deixou triste e andando torto por uma semana!

Sei lá.. eu assisti Wolverine com a cabeça fresca.. é possível se divertir com ele. Não é fiel, tem defeitos sim… mas já vi coisa MUITO pior.

O filme não tem desculpa, é uma bomba mesmo. E olha que fui de espírito aberto, com vontade de ver filme mentiroso mesmo, que não tivesse que pensar, e ainda assim me decepcionei, hehehehe. Mereceu até post com uma conversa entre os roteiristas –> ver no meu blog (www.faocubo.blogspot.com)

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