Reportando

Velvet Discos fechada: será que a culpa é de Natal?

Por Gabriel Trigueiro - 16/12/2007

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A notícia de que a Velvet Café e Música vai fechar suas portas no próximo dia 29 chocou habituês e clientes ocasionais da loja, e continua a repercutir nos fóruns de sempre (Orkut, blogs, fotologs, etc.). É natural que o encerramento das atividades de um lugar tão querido por seus “freqüentadores-fãs” gere desapontamento. Mas um ponto interessante nos textos e discussões que tenho lido sobre o assunto é que todos culpam Natal (a cidade) pelo fim da trajetória de sete anos do sebo do “geek” Marcelo Morais. Mas será que ela é mesmo a culpada pelo fechamento da Velvet? Sinceramente, estou inclinado a discordar…

Ontem, li na coluna eletrônica do publicitário e escritor Patrício Júnior , um indignado artigo sobre o fim do sebo de discos do Tirol, que dá seus últimos suspiros nessa semana e na próxima. Todo tristonho, meu ex-colega de UFRN também culpa Natal e protesta contra a falta de gosto dessa terra por tudo que lembre cultura – reclamação antiga nas bocas de alguns e bem nova nas de muitos, que, até ontem apaixonados freqüentadores da Vila Folia, agora defendem mais qualidade e pluralidade cultural na vida da cidade.

Mas, afinal, o que forçou o dono da Velvet a tomar uma decisão tão radical? Em várias conversas nas quais tentei demovê-lo da idéia, Marcelo me repetiu que Natal não comporta cultura, que a cidade foi feita só para as “calcinhas pretas” da vida e que vai fechar porque não tem conseguido fazer o caixa sequer “empatar” no fim do mês.

É fato que negócio sebo/livraria/loja de disco está brabo no mundo inteiro. Aqui, no Recife, em São Paulo, em Londres, “ene” estabelecimentos têm fechado portas por pura falta de demanda.

Na capital pernambucana, sumiram todos os sebos e lojas de discos do Centro, pelos quais peregrinei em minha adolescência. As exceções são a Vinil e a Flowers, que continuam abertos, até onde eu sei, mas vivem hoje mais da venda de camisetas e acessórios, no caso da Vinil, e de vendas pela internet, no caso da Flowers.

Em São Paulo, as tradicionalíssimas galerias do Rock e 24 de Maio vendem hoje tudo o que se possa imaginar, mas quase se esqueceram dos discos. Em Londres, encolhe a cada ano a ótima fileira de sebos de música da rua Berwick, onde se encontram remasterizados de David Bowie e vinis do início da carreira de Elis Regina a preço de bolo, bolo inglês, ok, mas bolo ainda assim. Quando lá estive pela última vez, em 2004, vi várias lojas fechadas e Deus sabe o que ainda encontrarei se conseguir mesmo juntar grana para voltar por aquelas bandas no ano que vem, conforme pretendo.

Falando em Londres, é engraçado notar que a concorrência do virtual frente ao impresso provocou mais rápido a falência da Tower Records, ex-maior loja de discos do mundo, do que o fechamento da Velvet. No início da década, a Tower foi incorporada pela Virgin, uma mega multinacional que tem a venda de discos apenas como uma (pequena) parcela de seus negócios, que se estendem em áreas como showbizz, eletrônica, comunicações e aviação comercial. Em sua coluna no Bandnews TV, o escritor Ruy Castro comentou, certa vez, que o fim da Tower frustrou seus sonhos de, depois de morto, passar a eternidade assombrando os corredores da loja em vez de ir para o paraíso. “Agora, o máximo que posso desejar é passar a eternidade dentro de um I-Pod”, disse ele.

A mesma realidade acomete os sebos de livros. Não que as pessoas agora não estejam gostando de ler mais do que sempre NÃO gostaram, mas as distrações, que já eram muitas no cretáceo (antes da internet, quero dizer), agora são quase infinitas.

No caso da música, a coisa é mais objetiva: o MP3 roubou os compradores do CD e pronto. Agora só colecionador se dispõe a pagar caro para ter o tal “suporte físico”. Aí alguém pode se perguntar: se os CDs fossem mais baratos, venderiam mais? Não sei. Provavelmente não. Acho que se um CD novinho em folha custasse 50 centavos ainda assim as pessoas optariam por ficar em casa e fazer download, por que é “cool”. Coisa que eu nunca entendi, porque fui educado para ver um álbum como uma junção entre som e parte gráfica e para mim a música desacompanhada de sua imagem, de sua capa, é uma obra aleijada; pela metade. Mas, afinal, quem disse que eu tenho de entender tudo?

Corria a metade do ano 2000 quando ele, concretizando um sonho antigo, resolveu abrir seu próprio sebo, depois de alguns anos alugando um pedaço da prateleira do sebo Letra & Música, que, aliás, continua funcionando muito mal, obrigado…

Ao longo desses sete anos, a Velvet oscilou bons e maus momentos, como qualquer coisa na vida oscila. Suas prateleiras, que sempre foram, de uma maneira ou de outra, um reflexo do ótimo e às vezes idiossincrático gosto pessoal de seu dono, viraram a base do vai e vem da minha coleção particular de nacionais e importados, que, entre compras, vendas e trocas, já chegou perto dos 500 exemplares – hoje está bem mais enxuta.

Já no ano passado, Marcelo decidiu expandir os negócios. Convenceu-se de que precisava vender não só CDs, mas também cafés, bolinhos, empadas, refrigerantes e cervejas. Foi talvez esse o beijo da morte. A idéia era ótima em principio e o café ficou muito bonito. Mas com investimentos altos (cerca de R$ 40 mil, segundo o próprio) e sem possibilidades de retorno rápido, tornou-se cada vez mais difícil para o sebista equilibrar as contas, até que ele decidiu encerrar tudo para não ter mais prejuízo e passar a vender só pela internet, onde, para minha tristeza, o cliente não pega na capa do disco antes de comprar e nem conversa cara a cara com um vendedor excepcionalmente especializado como Marcelo.

Tentei convencê-lo a continuar com uma estrutura reduzida, sem o tal café, e gostaria de ter levantado uma grana pra assumir a loja, mas não consegui uma coisa e nem a outra. Agora resta juntar-me aos outros e ficar botando a culpa em Natal-saco-de-pancadas, enquanto decido se vou escutar sempre os mesmos discos ou se vou caçar novas aquisições na tela, com os olhos cada vez mais ardidos.

39 Comentários para “Velvet Discos fechada: será que a culpa é de Natal?

gabriel comentou em 19/12/2007 às 5:47 am

Ah, esclarencendo, o ELE do décimo parágrafo é o Marcelo Morais. Achei que não ficou muito claro.

=( comentou em 19/12/2007 às 8:47 am

Não sou uma frequentadora assídua da Velvet. Principalmente, depois que passei a trabalhar em outra cidade e, a maioria das vezes, só volto a Natal depois das cinco.
Mas, de vez em quando, ia lá pra comprar uns presentes bacanas.
Li, em um jornal, que a loja iria fechar. Fiquei triste, porque é uma dessas coisas que você quer que sempre exista.
Conheci o Café. Muito bonito. Seria um ótimo lugar pra conversar depois do trabalho… Sei que, por ali, há muitos assaltos.
Mas, quem sabe se a Velvet abrisse por mais umas duas horas, à noite, o movimento não aumentava. E, se aos sábados, abrisse a tarde, em lugar da manhã…
E se todo o pessoal que abriu espaço pra se queixar do fechamento, poderia, quem sabe, escrever sobre os acontecidos no café da Velvet, tb.

excelente artigo, gabriel. obrigado por ter me citado. é um novo ponto de vista e, o melhor, muito embasado. valeus, cara!

gabriel comentou em 19/12/2007 às 11:53 am

Brigado pela leitura, Patrício! abs!

foca comentou em 20/12/2007 às 6:08 am

concordo com rudo gabriel. vou postar as mesmas cosias que postei na coluna do patrício. Lá vai:

Não me surpreende o fechamento das duas lojas. Trabalho remando contra a maré por aqui há várias anos (uns 10). Aprendi algumas coisas nesse tempo:

1) Cultura é base. Ninguém convence um cara de 20 anos que livro é bom e que rock tambémpode ser bacana (sem desmerecer os outros ritmos). Enquanto não trabalharmos pesado em formar platéia culturalmente relevante vai continuar tudo como está: ruim.

2) Este não é problema de Natal. Em qualquer cidade com o mesmo número de habitantes a realidade é a mesma principalmente no Norte-Nordeste.

3) É no período de uma mega crise que se forma as ações consistentes e preocupadas com o futuro. Marcelo ainda fica no mercado on line e ao povo da Limbo sugiro que continuem militando pela literatura de outra forma. Sem vocês a coisa fica mais complicada.

é isso

foca
centro cultural dosolrockbar (que quase fechou em 2007)

Gabriel, me indentifiquei muito com o teu artigo. Por caminhos transversais, mas é uma identificação. Como muitos sabem, não moro em natal há uns quatro anos. Desde então pude perceber que os natalenses são muito injustos com a cidade. É que nós só percebemos como é nossa cultura, quando vista de fora. Percebi como temos uma baixa auto-estima. Natal não pode ser culpada por tudo. Só quero que me entendam: não estou propondo uma falta de rigor, de juízo crítico. Pelo contrário, saibamos pesar as coisas. Cada peso e cada medida.

Fico triste e me sinto órfão de uma loja que ao longo de muito tempo foi minha base para descobertas e garimpos de qualidade, entre outras lojas, que aqui tem e que tentam sobreviver neste mercado de sebo.
Acredito que Natal perderá muito após a saída da Velvet do mercado, concordo com comentários de todos e este cenário que permeia cidades como Recife e São Paulo, é um reflexo forte da força que o Mp3 tá na vida das pessoas, além desse sentimento de ‘praticidade’ que deixa o restante das coisas ‘ultrapassadas’.
Porém não entendo como alguém pode tratar a música de uma forma tão fria e impessoal, quando se propõe a deixar de comprar cd´s à utilizar os ‘baixadores-da-vida’.
É com grande pesar que Natal deveria se prestar a Velvet, seja pelo atendimento próximo e diferenciado que muitas vezes transformava-se em amizade, seja pela qualidade oferecida e tão bem garimpada pelo próprio Marcelo.
Não entrarei em questões sobre ‘gostos’ e cultura, pois algumas coisas vão demorar a mudar. Como nossa auto-estima e nosso senso de cultura neste estado.
Abs à todos

Marcelo comentou em 20/12/2007 às 7:59 pm

Gabriel, li o seu texto agora, e para ser bem sucinto:

1) O mp3 realmente mudou tudo, não há dúvida, e embora não seja o único fator, foi realmente o determinante.
2) Outros fatores colaboraram: custo de implantação do café bem além do previsto (algo que não estava nos planos), proibição de estacionamento de veículos na frente (que ocorreu quando a Velvet estava em reforma), falta de divulgação de minha parte (não da imprensa, que sempre foi super-generosa), falta de visão (de minha parte), e outros imprevistos.
3) Não posso negar que estando em Natal, a coisa é mais complicada. Embora você tenha citado outras cidades que passam pelo mesmo problema. A questão é que Natal não comporta uma Velvet, uma livraria mais especializada (Limbo), uma loja especializada em quadrinhos (A Garagem Hermética). Esta última não vai fechar, mas Milena (sua proprietária), se queixa bastante. Natal não vive nem de cesta básica. Espaços como estes não se mantêm, pois não se consome esse tipo de cultura. Poucos querem pagar por isso, e é mais fácil baixar um cd na net – que eu comparo a um livro xerocado – do que pagar por um. É bom sempre lembrar que estamos no Brasil, e consumir esse tipo de produto nem sempre é acessível.
4) “Geek” ? Li o significado, e te confesso que não fiquei muito honrado com isso.

Foca já escreveu que cultura é base. Eu acho que tudo é base. Educação, cultura, política, ética…

Muitos de nós crescemos escutando discos de vinil dos nossos pais, lendo livros dos nossos pais. Eu cresci escutando Beatles e muita MPB, tudo do meu pai. Lá pelos meus 15 anos comecei a comprar lps também. Comprei poucos, logo depois o cd chegou e passei a comprá-los. Os livros também. Sempre li coleções de livros do meu pai. E hoje compro livros, com menos assiduidade do que compro cds. Digo seguramente que 50% do que tenho de discos foi comprado a Marcelo. E agradeço. Hoje a molecada praticamente nasce com um teclado na mão. Minha filha de 4 anos adora jogar no computador, eu detesto. Mas sempre compro livros para ela e ela adora. Também consertamos uma radiola (aquelas de maleta) para ela escutar aqueles discos coloridos de vinil com histórias infantis. Ela quebrou a radiola de tanto trocar os discos e baixar e subir o volume. A geração de hoje, com exceções claro, não se importa com o físico, com a arte do livro e do disco, e muitos sequer tem paciência para ler um livro todo ou escutar um disco todo. Nós que compramos disco, livros e revistas somos muitas vezes chamados de idiotas (por gastar grana com algo que existe de graça) ou criança (por ler quadrinhos). É o fim da picada.

gabriel comentou em 21/12/2007 às 6:29 am

Olha Marcelo, seus argumentos são válidos e bem-vindos, até porque vc está de certa forma no centro desse debate bom que se estendeu na net ao longo dos últimos dias.

Eu quis apresentar um contraponto e esse discurso reinante do “Levei uma topada, a culpa é de Natal”. E olha que vc, como meu amigo há séculos, sabe que sempre fui um acidíssimo crítico das babaquices, omissões, ignorâncias e limitações dessa cidade.

Com relação à palavra geek, eu não sei onde vc leu esse significado, mas com certeza não está muito correto, ou condizente com o sentido que eu conheço, que aprendi na Inglaterra. O geek é uma pessoa que não se alinha com o mainstream, o pensamento padrão do sistema no que diz respeito à cultura e a tudo. É aquele “cara estranho” na visão do SISTEMA, que escuta música “estranha”, gosta de filmes “estranhos”, lê livros “estranhos” e assim por diante.

Acho que vc cai bem no perfil, assim como eu, Alexandre, Kênia, Paolo, Zózimo, enfim, um montão de gente que conhecemos. Aliás, a ótima revista Geek Monthly traz esse mês uma ótima matéria sobre o novo filme do Tim Burton.

Acesse aí: http://www.geekmonthly.com

abs…

Gabriel: sei que você é mais trigueiro que entrigueiro… rs… E acho que o seu texto e o de Patrício se complementam… são complemetidos e comprometidos com o bem geral da muitas vezes tão metida nação poptiguar também tantas vezes sem noção poptiguar… Bem, assim como você, fui tentar fazer um comentário e acabei também escrevendo um texto sobre, tá lo site/blog dOs Poetas Elétricos. Abraços!

[...] o assunto mas é bom lermos mais coisas. Recomendamos o texto de Patrício Jr. no site da Digi e de Gabriel Tregueiro no zine Disruptores. Ambos tratando o assunto co enfoques um pouco [...]

Lúcia comentou em 22/12/2007 às 4:50 pm

Gabriel, li o seu artigo e concordo em parte. As pessoas não podem colocar a culpa somente na cidade, porque a cidade é feita pelas pessoas. Mas entendo a frustração de Marcelo porque acompanhei toda a movimentação para que o café funcionasse e vi o empenho dele em fazer algo bonito e de bom gosto. Sei, por exemplo, que ele não vende apenas cafés, bolinhos, empadas, refrigerantes e cervejas, porque eu sou a fornecedora dos cookies e barrinhas que ele vende lá. E na verdade Marcelo é a única pessoa pra quem eu forneço esses doces, porque já fui em outros locais e às vezes me dizem que não querem porque as pessoas aqui não conhecem e não vale a pena investir em algo novo. Acho essa uma postura bem limitada e medíocre, mas como estou quase de malas prontas pra voltar pra Floripa, de onde nunca deveria ter saído, não estou me incomodando mais com isso. Até porque Natal é uma cidade sem muita ousadia gastronômica, apesar da fantástica variedade de frutas que se encontra aqui. Mas, para você ter uma idéia, existe aqui uma loja de doces muito famosa, que vende horrores, e não faz nada de diferente. Há uma outra, no entanto, que é bem menos popular e trabalha com ingredientes da terra e faz coisas que você não encontra em lugar nenhum. Mas para os adeptos da mesmice isso não tem nenhum charme. A carne de sol, por exemplo, as pessoas, na maioria, limitam-se a comer frita ou assada, com feijão verde etc. E no entanto um risotto feito com esta carne já ganhou até um prêmio na revista Gula. Acho que quando Marcelo abriu o Café ele queria também oferecer algo diferente e acho que não há nada que combine mais com boa música do que um bom café. Mas acho que esse conceito é algo que leva tempo pra se firmar, não sei bem. O que sei é que algumas pessoas sabem que certos CDs só vão encontrar lá. E sabem também que só na Velvet podem procurar barrinhas de damasco e de banana com castanhas e chocolate. Não por muito tempo. Pelo menos os CDs ainda estarão sendo vendidos na internet.
Sinto muito que essa conversa que tive com você tenha sido mais gastronômica do que musical, mas acho que cozinhar também é uma arte. Quanto a Natal… é mesmo uma cidade linda, mas nunca me deu muitas razões pra ficar. Voltei pra cá em 1995 e em muito pouco tempo descobri que tinha cometido um erro. Algumas pessoas voltaram, ficaram e se deram bem. Acredito que pra muitas pessoas isto aqui é realmente o paraíso. Não pra mim. Enquanto estava em Fpolis dava aulas particulares de inglês e sempre tive todos os alunos que quis. Aqui fui obrigada a dar aulas em escolas e me limitar a obedecer regras impostas por donos de escola que nem ao menos falavam inglês, imagine só!! E olhe que fiz mestrado e tudo. Até quis continuar a estudar aqui, mas na UFRN não existe nem ao menos especialização em inglês, quanto mais mestrado ou doutorado.
Achei o seu texto extremamente bem escrito e muito lúcido. Acredito, pelo que li, que você gosta muito de Natal e acredito também que a gente deve ficar onde se sente feliz e onde é tratado com respeito. Então tou voltando pro meu vento Sul, pra curtir um bom inverno com vinho quente e canela. Um abraço.

João Gilberto comentou em 22/12/2007 às 7:53 pm

Ótimo texto.

É uma pena o fim destes estabelecimentos.

Marcelo comentou em 22/12/2007 às 9:58 pm

Beleza, Gabriel. É que não conhecia o termo e vi em alguns sites que significa algo próximo ao de nerd, embora não tenha dúvida de que não foi isso que você quis dizer. Ou foi? (risos)

Lúcia falou que aqui não vale a pena investir em algo novo. E o que se pode dizer do bar que não tem cardápio, não tem mesas suficientes, não tem cerveja gelada, fica num beco no centro e toda sexta lota de idiotas do setor II da UFRN vestidos de hippies para curtir um samba mais torto que a curva da Maniçoba perto de Currais Novos? Ô povo imbecil esse aqui de Natal.

augusto lula comentou em 24/12/2007 às 12:24 pm

Fui apresentado a Velvet pelo Alexandre Honório. Loucura, o passado estava ali na mão e Marcelo saca tudo e é um cara legal etc e tal. Cheguei inclusive a levar meu filho, hoje com 15 anos, para pegar uns Cds. Mas, o tempo não para e é o senhor da razão. Num tempo antigo, os álbuns duplos, triplos, com varias paginas eram demais da conta. A gente ia na cidade, comprava, levava pra casa, abria, acendia um e colocava no som. Antes, passava o vinil no braço para sentir a tal eletricidade estática levantando os cabelos do braço. E tome som na oiças, deitado nas almofadas com a capa na mão. Agora, estou em casa e acabo de baixar uns 10 discos, cds, sei lá, e ouvindo a Lanterna dos Afogados dos dias de hoje na beira da piscina.

Fábio comentou em 26/12/2007 às 6:20 am

gabriel comentou em 26/12/2007 às 11:44 am

É Lúcia, se no seu ramo de atividade o fator geográfico realmente pesa, acho que você tem mesmo de sair. Só tome cuidado pra não idealizar demais e se decepcionar depois. Eu já cometi esse erro e alguns amigos meus também.

No caso dos sebos, como eu botei no texto, acredito que a geografia não pesa tanto, pelo em se falando de cidades com centenas de milhares ou com milhões de habitantes.

Sim, eu gosto de Natal nem muito nem pouco. Acho que o lugar em que se mora desde sempre se incorpora tanto ao cotidiano, não é?, que daqui a pouco vc nem sabe mais se gosta ou não.

Mas o cerne da questão eu acho que é outro. Na verdade, eu acho, e ele me corrija se eu estiver errado, que a Velvet, a partir de certo momento, deixou de ser prioridade para o próprio Marcelo. E aqui não vai nenhuma crítica a ele, aliás, um cara que eu adoro demais. Na entrevista no blog do Patrício, ele falou que teria se dado melhor se a loja fosse em Porto Alegre. Será? Quem sabe? O fato é que manter um negócio lucrando no Brasil, seja ele qual for exige do dono um esforço realmente HERCÚLEO. Aqui, em Floripa, em POA, onde for.

Sobre o comentário de Hugo, acredito eu que o boteco é mesmo uma raiz cultural brasileira impenetrável, e esses projetos de hippies universitários são justamente aqueles que devem se sentir repelidos por ambientes mais “finos”, como um bom café, neh?

E Lula! kkkk Rapaz, vamos ter de nos juntar a Ruy Castro dentro do I-pod. Agora, vai ficar apertado viu!!

gabriel comentou em 26/12/2007 às 11:48 am

PS: Sim Marcelo, vc tem razão pq o povo tb usa geek como sinômino de Nerd neh? Mas é uma distorção. Certamente não foi esse sentido q eu quis dar, rsrs!

leandro comentou em 28/12/2007 às 10:38 am

pô, sei que vou fugir um pouco aqui do assunto, mas qual é o problema em frequentar esse bar no centro, hugo? se você se refere ao perímetro do ‘beco da lama’ acho que os ‘idiotas’ que você citou não são apenas os do setor II da ufrn(o qual eu faço parte), mas toda uma gama de artistas, poetas e loucos que perambulam as vielas toscas do centro… inclusive você mesmo, que encontrei por lá dias atrás, na oportunidade você até brincou comigo dizendo “até tu, rapaz?!”… bem, não sei quanto a você, mas eu até posso ser um idiota, mas criado no leitinho com pera eu não fui não, menos mal…

dae eu te pergunto, o que isso tem a ver com o fechamento da velvet e limbo??? não vejo relação alguma…
com todo respeito ao marcelo, acredito que a velvet fechou por falta de divulgação, principalmente… quando fizemos a primeira festa de lançamento do zine lado [r] e disponibilizamos as senhas de graça pra galera retirar na limbo e velvet, foi chocante saber que muita gente não sabia sequer da existencia dessas lojas… mas foi legal conversar com algumas dessas pessoas depois, que teceram ótimos elogios tanto a limbo quanto a velvet, cansei de ouvir comentários positivos…

não vamos fazer tempestade em copo d’agua, acho sim que aqui nessa cidade existem pessoas com bom gosto (e grana) e que poderiam frequentar a velvet e/ou limbo, agora, para isso acontecer, antes elas precisam saber que existem esses locais…
se garantir com esse papo de ‘público fiel’ não voga.

Fábio comentou em 29/12/2007 às 4:41 pm

Leandro, não vou me ater ao assunto de Hugo, mas estive hoje na Velvet pela manhã e não cabia de gente lá dentro. Acredito que clientes e freqüentadores habituais. Então realmente não acredito que o problema deles tenha sido divulgação. Alegar que foi isso para mim é papo furado de quem não se liga. A explicação de Gabriel faz muito mais sentido. Pessoas que gostam de música, e compram cds, livros e etc. procuram os lugares aonde se vende, fuçam, pesquisam e correm atrás.

O que eu quis dizer Leandro, é que idiotas como eu e muitos outros, que compram discos, livros e etc, frequentam lugares porque gostam. Meu caso, o teu e de muitos outros, mas tem muita gente que frequenta pelo hype. Por ser novo, não por ser bom ou por ser legal, ter bom atendimento. Fui lá pelo convite de um casal de amigos e achei uma bosta. Não volto mais. Esse dias o mesmo casal disse que aquele movimento já passou, tá mais fraco. O que será que aconteceu? De repente o lugar perdeu o charme da cerveja quente, música terrível e atendimento péssimo, sem falar na falta de um banheiro decente para mijar? E não precisa ser boteco não, vide o Real Botequim. Passei lá na frente várias vezes e havia filas e filas, nem fui lá e soube que mau se bebe, mau se come e toma-se uma facada. Tô fora. As adjacências do Beco da Lama são massa. Preferia o Cabo. Mas mataram o cara. Quando eu falo a galera do setor II, não se ofenda, é uma brincadeira entre eu e alguns. Mas uma vez digo que é o povo que dá valor a um hype. Se o samba tá na moda. É nóis no samba. Se o hip hop é a onda, é nóis na batida. E por aí vai. A Velvet nunca foi hype. Só ia lá quem queria. Quem gostava. Nunca caiu nos ouvidos dos malhados que curtem a moda. Só isso. Idiota tem em todo lugar, setor II, setor V, etc. Eu concordo no fato da falta de divulgação da Velvet, mas são poucos idiotas, lá vem os idiotas de novo, que gastam com discos. Pra que se tem de graça na net? Só tenho a agradecer a Marcelo pelas dezenas de discos que tenho em casa. E pelo ambiente excelente que se foi…

Hugo, pago dez conto pra esse omi ficar calado… não, não… pago 20 conto pra tu parar, respirar e pensar antes de falar! hehehe

abração

Alexis comentou em 6/1/2008 às 8:06 am

Tanta discussão e (acho) ninguém se lembrou da loja Records que, até onde sei, funciona há uns dez anos no mesmo canto escondido – no obscuro Shopping Centro, no final da Princesa Isabel, perto das Americanas – e só trabalha com discos de metal e hardcore.
Qual é o segredo do sucesso? Sei não. Só sei que eu sinto falta do Bar do Cabo e, agora, da Velvet também. Imagino que meu minguado salário vá render muito mais agora que eu não tenho mais onde gastá-lo.

Só fui na Records uma vez, como não curto muito metal e hardcore, nunca mais voltei. Mas aí tem que ver se o bicho só tem aquilo como ganha pão e outras coisas também. Teve algum incremento na loja ou é do mesmo jeito desde que abriu? O que matou Marcelo foi a grana que ele investiu e não tem retorno.

gabriel comentou em 7/1/2008 às 12:33 pm

Pois é Alexis. A ex-Record do Shopping Centro agora se chama Dying Music e ainda é especializada em metal. Mas um ex-sócio da loja abriu uma outra loja chamada Records na Ulysses Caldas, q tb é metaleira. Parece que é um bom mercado: heavy-metal e acessórios correlatos

A propósito, na segunda-feira da semana passada (31/12) fiz um pequeno périplo pós-Velvet pra passar um pente fino nos sebos e lojas do centro da cidade, coisa que eu não fazia mais desde a abertura da Velvet, em 2000. Saldo positivo!: Um Jeff Beck (“Wired”) novinho em folha por 14,99 nas Americanas e um Ornette Coleman (“The Best of the Blue Note Years”) usado, mas bem novinho, por R$ 15,00 em Ari.

Por ser véspera de ano novo, eu acho, três dos lugares que eu ia estavam fechados: dois deles eram justamente a Records e Dying Music. Tb tava fechado aquele sebo em forma de banca de revista na Rio Branco, que tem uma mulher Maravilha pintada.

Acho que pelo menos uma vez por mês vou tentar dar uma voltinha dessa pela cidade.

gabriel comentou em 7/1/2008 às 12:34 pm

PS: agora, em se falando de lançamento, a coisa tá feia mesmo. Agora é só pela Internet.

gabriel comentou em 7/1/2008 às 12:47 pm

PS2: Shirley me corrigiu que o dono da atual Records não era sócio da ex-Records. rsrsrs

Tádzio comentou em 9/1/2008 às 2:03 pm

Eu já comprei Atari Teenage Riot, Moby e Tricky na Records! Brinque.

gabriel comentou em 10/1/2008 às 5:33 am

Pois é, bons CDs a pessoa acha por aí a fora, Tádzio, mas o triste é que as bandas esquisitas desse tal de rock alternativo que tinham na Velvet não vamos mais encontrar na cidade. Porque os CDs eram trazidos de acordo com o gosto e a garimpagem de Marcelo, daí os clientes ficavam curiosos, ouviam e acabavam gostando também.

Marcelo comentou em 11/1/2008 às 6:41 am

Gabriel, enquanto o newsletter não volta, estou comunicando a todos o que recebo através da comunidade da Velvet no Orkut. Fechei a loja física, mas continuo vendendo cds.

Tádzio comentou em 11/1/2008 às 7:31 am

Essa minha compra “desviante” (eletrônica no reino do metal!) na Records se deu em 1999. A Velvet nem existia ainda.

gabriel comentou em 11/1/2008 às 11:10 am

blz Marcelo! Pois é, eu tb só fui na Records, hj Dying, antes da Velvet abrir.

alumao comentou em 11/2/2008 às 1:06 pm

rapaz ,como já dizia meu sobrinho:o problema é o problema,a civilização existe há 3.000 anos e nós não mudamos,a tecnologia vai está sempre na nossa frente,aconteceu com a tipografia e está acontencendo com a net,e o que nunca vai acabar serão os bares ou tavernas,já vi muito neguinho sair bicado lá de ari.

Roberto Christians Caldas comentou em 29/3/2008 às 6:29 am

Fui um frequentador assíduo da Velvet entre 2000 e 2003 (maomenos). Minha opinião : 50% Marcelo está correto, 50% Gabriel está correto. Porém, no meu modesto ponto de vista…foi o ponto, e ponto final ! Se a loja estivesse localizada num região mais favorecida em termo de estacionamento e principalmente SEGURANÇA, a coisa teria sido diferente, pois passei dias indo lá sem comprar nada, mas adorava ouvir e participar das conversas (SEMPRE em alto nível) tomar uma cerva e aprender muito com a GRANDE FIGURA que é o Marcelo. Fiquei muito emocionado e honrado por ter sido presenteado com o álbum do Sgt. Pepper´s, emoldurado que fazia parte da decoração da loja desde o seu início. Ele estará pendurado na minha parede não importa aonde eu vá…
Gostaria muito de fazer uma grande festa para o aniversário do Marcelo que será em 02 de abril próximo, pois este merece uma festa com MUITO ROCK´N ROLL. Neste sábado chuvoso estou q m…n´água. Ah como seria bom estar na Velvet lá num dia como o de hoje…

débora comentou em 23/3/2009 às 10:58 pm

Eu gostaria de saber como faço pra comprar uma camiseta da banda Sigur Rós que vi no Mercado Livre. Eu tentei deixar recado pra “MarceloVelvet” que deve ser o “geek”, o qual você se refere no seu texto, mas não consegui.
Eu tenho interesse em comprar a camiseta, e gostaria de saber se ainda está disponível. Talvez por aqui consiga chegar até ele.

Espero retorno,
Débora.

Ainda temos como comprar por algum website?

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