Por Alexandre Honório - 16/06/2010

Namor, o Príncipe Submarino, nunca foi um dos meus personagens favoritos. Qualquer personagem que, submarino, traz asas adornando seus pés é no mínimo um absurdo, não? Correto. Porém, devo morder a língua quando o assunto é Namor: As Profundezas, encadernado com o personagem que está atualmente nas bancas de revistas. A edição caprichada faz jus à história que a recheia: Namor: As Profundezas é uma história de suspense bacana como há algum tempo não lia.

Capa de "Namor: As Profundezas" da Panini Comics
Na trama, um renomado cientista é convidado a acompanhar uma expedição às Fossas Marianas para verificar o que teria acontecido com o Capitão Marlowe e sua tripulação que, em um submarino, procuravam provas da existência do continente perdido de Atlântida. Com uma nova tripulação, o professor Stein segue às profundezas abissais procurando pelo capitão perdido e sua tripulação e, mais, por evidências que comprovem que o tal continente não passa de delírio.
Porém, com uma dose bacana de suspense claustrofóbico e com uma arte que realça este aspecto, Peter Milligan (Skreemer, Shade – o Homem Mutável) e Esad Ribic (Loki, Surfista Prateado – Réquiem) compõem uma história em quadrinhos verdadeiramente excitante. Prova disso é que o personagem título paira por todo o volume, surgindo somente para realçar a atmosfera de suspense que toma conta do submarino que leva Stein e sua tripulação às profundezas do título.
O argumento de Milligan conduz o leitor através do subconsciente dos personagens, exprime a arrogância de Stein e seu declínio frente às surpresas que surgem a medida em que o submarino que o abriga avança buscando o que se esconde além das Fossas Marianas e, mais, mostra seu colapso frente à descoberta do que acontecera à tripulação e ao próprio Capitão Marlowe.
Já a arte de Esad Ribic é, como sempre, um espetáculo à parte: com seu estilo metódico e expressivo, traduz em imagens impressionantes e carregadas de tensão o que o roteiro de Milligan lhe propõe. Para o leitor, as cores e imagens construídas por Ribic – especialmente o jogo com luz e sombras que ele constrói em torno dos personagens (e do terror inspirado pelo próprio Namor, “o protetor terrível de Atlântida”) atribui contornos únicos à trama e prende o leitor até a última página da publicação.
Como disse no início, Namor, o Príncipe Submarino, não é nem de longe um dos personagens favoritos. Entretanto, é inegável sua importância para história das Histórias em Quadrinhos. Peter Milligan e Esad Ribic construíram para este Namor: As Profundezas uma aventura única, imbatível e por isso indispensável para quem de verdade gosta de uma assustadora e irrepreensível obra de ficção.
Alice Désirée comentou em 18/6/2010 às 10:24 am
Parece ser sinistro mesmo! Quero ler! rsrsrs…
=1
[...] ter que concordar com Honório, mas nesse caso sou obrigado a dar o braço a torcer: compre/empreste/roube Namor: As Profundezas [...]
Alex de Souza comentou em 20/6/2010 às 5:31 pm
A referência óbvia é O Coração das Trevas, de Joseph Conrad. “O horror, o horror”.
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