Por Alexandre Honório - 19/08/2009

Lembro a primeira vez que escutei The Stone Roses, álbum homônimo da banda britânica que, considero, inaugurou em grande estilo esse bicho esquisito chamado Britpop. Estava na casa de um amigo que tinha uma coleção bacana de discos de vinil e, dentre os discos, esse se sobressaiu por sua urgência. Esse episódio aconteceu em meados de 1997 e, portanto, somente oito anos depois do seu lançamento o disco surgiria na minha frente em toda sua glória. The Stone Roses é um daqueles discos que marcaram o final do século passado: o auge da Madchester, um período de culturas em ebulição e bandas brilhantes que souberam aproveitar aquele instante como se este fosse o seu último.
O primeiro disco dos Stone Roses parece entrar em rota de colisão com o nosso cérebro: ele cresce, envolve, seduz e entorpece o ouvinte. Pode parecer exagerado, mas The Stone Roses, o disco, parece feito da mesma substância de clássicos como Velvet Underground & Nico ou Surfer Rosa – para ficar com um outro trabalho contemporâneo e igualmente relevante para o período.
Depois daquela mesma primeira audição, The Stone Roses terminou se sobressaindo como um dos meus álbuns favoritos: um disco com canções memoráveis, reverberando o sentimento de um período de transformações e investido por um sabor docemente transgressor. Ian Brown, John Squire, Mani e Remi conceberam um trabalho tão primoroso que não é de todo incompreensível que depois não tenham conseguido repetir a dose: o grupo se dissolveu depois do segundo álbum (Second Coming, de 1994) e cada um dos integrantes trilhou caminhos musicais ou artísticos distintos. Entretanto não consigo imaginar nomes como Blur, Oasis, Arctic Monkeys ou Kasabian sem o brilho ainda ofuscante deste disco.
Agora The Stone Roses, este mesmo álbum lançado em 1989, está prestes a ganhar um relançamento que certamente fará jus a sua importância: o disco ganha três versões que chegarão às lojas em meados de setembro. A primeira versão é um sonho de consumo e surge em edição mais que limitada: uma caixa com um três CDs e um DVD remasterizados compilando faixas, b-sides e extras; três discos de vinil de 180g com todo material dos mesmos CDs; um pen-drive de 2Gb entupido de músicas e extras; um livro com fotos, textos e artigos sobre a banda; tudo embalado em uma caixa com nova roupagem a cargo de John Squire. Resumindo: se alguém quiser me dar de presente, vou agradecer por pelo menos três encarnações.
Além da “versão de sonho”, duas outras versões da edição ganham as ruas também em setembro: os mesmos CDs e DVD que integram o pacote aparecem também em uma versão light da edição limitada e, para quem quer apenas uma edição bacana do trabalho original, um CD contendo o álbum pura e simplesmente. Enfim: sugiro guardar alguns reais e rezar para que o câmbio ajude até lá…
Assim, é preciso reconhecer o que se faz perceptível por ocasião deste relançamento: a celebração de um disco que mexeu com as estruturas de toda uma geração; um disco que estabeleceu novos rumos musicais possíveis para uma cultura; um disco que, investido por canções como I Am The Ressurection, I Wanna Be Adored ou Made of Stone, pra ficar apenas em três petardos, é capaz de colocar o ouvinte menos atento em estado de graça em dois tempos.
Enfim: uma reedição indispensável para os que, como eu, sentiram um arrepio percorrendo a espinha e uma estranha satisfação ao cantarolar “I am the resurrection and I am the light / I couldn’t ever bring myself to hate you as I’d like”; indispensável para aqueles que conseguiram perceber nas músicas de um disco singular o humor de uma geração que logo aspiraria o agora como nenhuma outra.
Marcelo Morais comentou em 27/8/2009 às 5:16 pm
Alexandre, esse é para mim um dos 10 melhores discos de todos os tempos. Concordo com tudo que disse aí. Falando nisso, já escutou o novo Arctic Monkeys? O disco do ano!
Einstein Rocha comentou em 22/9/2009 às 6:59 am
Voltei a escutá-lo esses dias. eu o escuto como se estivesse saboreando um chicabon, ou melhor, bolachas assadas com café. está também entre os dez prediletos.
P.S.- E aí? Ouviu o The Pains Of Being Pure At Heart? Me lembrou muito o Stone Roses e My bloody Valentine.
2007 ® Todos os Direitos Reservados
Todos os textos deste website possuem registro Creative Commons License.
DZ3 Design