Musicofilia

A Despedida de Um Certo e Misterioso Garoto Branco

Por Alexis Peixoto - 28/05/2007

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À caminho do estúdio onde iria encontrar a sua banda, o misterioso garoto branco resolveu fazer uma pequena parada. A noite estava agradável e o rapaz sentia-se satisfeito com as novas canções que vinha escrevendo para seu próximo álbum. E já que estava parado ali, na marina do Wolf River, resolveu que a melhor coisa que poderia fazer naquele momento seria dar um mergulho rápido.

Desceu do carro e deixou seu amigo Keith Foti esperando na margem. O rádio, convenientemente, tocava uma de suas canções favoritas: “Whola Lotta Love”, do Led Zeppelin. Quase sem perceber, começou a cantarolar baixinho enquanto avançava em direção à água.

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Cinemascópio

Do Riso à Repugnância em Alguns Poucos Atos

Por Alexandre Honório - 23/05/2007

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Em O Cheiro do Ralo vai-se do riso à repugnância em alguns poucos atos. O longa de Heitor Dhalia baseado na obra homônima de Lourenço Mutarelli – e estrelado por Selton Mello – é contundente, incômodo e, talvez sua qualidade menos palpável, risível. Não, O Cheiro do Ralo não é divertido; não é uma comédia e passa longe de quaisquer intenções de sê-lo. Quem afirmar o contrário – mesmo diante da doentia fixação do personagem Lourenço por bundas que não conseguirar traçar – corre o risco de embarcar na caricatura repugnante que Dhalia traça de alguém que, ao explorar degradados e desesperados, flerta de bom grado com o ralo que empresta nome ao filme.

Vejo que Lourenço é Bardamu. O personagem de Viagem ao Fim da Noite, de Louis Ferdinand Céline, tem desprezo pelos que teimam em circular por aí; desprezo pela história dos outros. Bardamu, como Lourenço, flerta com o ralo em um outro nível e os sabores de lá. Renega sua condição? De modo algum: continua sua auto-degradação sem esperar que qualquer redenção possa surgir.

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Musicofilia

Novo Álbum do BRMC Altera Placar Sem Levantar Torcida

Por Alexis Peixoto - 20/05/2007

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É inevitável e, na maioria dos casos, prejudicial: após todo e qualquer feito arrebatador, espera-se sempre um próximo passo se não maior, ao menos igualmente surpreendente. Tratando-se de música, então, vixe. Ai do figura que tenha em mãos a difícil tarefa de escrever o álbum sucessor àquele em que, supostamente, atingiu “a maturidade musical”, como gostam de apontar alguns críticos.

Em 2005, depois de dois bons discos de rock fortemente regados com “molho” inglês, o Black Rebel Motorcycle Club resolveu fazer seu disco “maduro”. Derrubaram a parede de guitarras que dominou seus álbuns anteriores e soltaram Howl, imerso na lama das raízes americanas, do country, do gospel, do folk presidiário e da contra-cultura californiana. Dois anos depois, é hora de dar a cara a bofete novamente com Baby 81, lançado entre o fim de abril e o início de maio na Europa e nos “Istêitis”

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Cinemascópio

Tropas Estelares: Um Longa Pra Macho!

Por João Homem Brasileiro - 17/05/2007

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Como bom macho que sou, estava eu tomando cerveja de madrugada com outros amigos machos, dando notas nas bundas que passavam, quando começou a passar na TV o corujão. E o filme não era outro que não o genial TROPAS ESTELARES! Na minha gabaritada opinião, o melhor filme da história do cinema!

Aos que acham que estou louco, peço que retirem as crianças da sala e me deixem expor meus argumentos. O filme fala de soldados que vão para o espaço combater insetos gigantes. Como é que um argumento desses pode ser ruim? Tiros, explosões, monstros e… Denise Richards! A Bond-girl que pediu divórcio do Charlie Sheen por ele ser um tarado viciado em sexo. Por mim, eu dava um Oscar pro Charlie Sheen ou um Prêmio Nobel, ou sei lá, uma medalha da ordem dos machos orgulhosos deste planeta. Mas isso é assunto pra outra ocasião. Falemos agora da guerra contra as baratas musculosas.

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Palavreando

Como Uma Bomba No Ar

Por Carlos Gurgel - 12/05/2007

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Hoje o sol entrou na esquina onde transitam respiros e odores suburbanos. Hoje, a luz da rua, como nômade de objetos esquecidos, passou como aviso que recolhe com o seu sentimento, suplicas de uma gente que não tem onde morar.

O traço de quem pede favor, no sinal onde se recolhem milhares de vultos, é como uma vazante de enormes braços, nessa encruzilhada entre espaços despedaçados de tanto viver.

Um olhar que se reparte em dobras de uma pele que enxuga com o seu recolhimento, o burburinho da praça, onde transeuntes e esquálidos tão vermes, descobrem que caminhar sobre um pedaço de fio, pode ser como uma chuva que traz tormentos e alegrias.

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Cinemascópio

Proibido Proibir

Por Aristeu Araújo - 08/05/2007

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Era 1968. A revolução que havia sacudido a França em maio daquele ano modificava o jeito de pensar da juventude de esquerda no mundo inteiro. Em setembro do mesmo ano, Caetano Veloso, no Brasil, subia ao palco acompanhado pelos Mutantes. Guitarras em punho, ouviram uma das maiores vaias da história da música brasileira. Se não a maior, pelo menos a mais célebre. Engraçado, ele cantava Proibido Proibir. As vaias eram contra as guitarras, que no imaginário da época maculavam a verdadeira MPB, eram sinal de alienação cultural. O resultado é que Caetano desfiou um discurso exaltado, gravado posteriormente em disco.

Hoje, o slogan “proibido proibir” soa banal. É que o mundo mudou, perdeu as utopias ao longo dessas quase quatro décadas que nos separam do maio francês. O Brasil deixou para trás sua ditadura militar. E é nesse entendimento que reside a primazia do segundo filme de Jorge Durán. Um triângulo amoroso que usa como base a alienação da juventude carioca frente aos dramas e infortúnios sociais vividos por aqueles abaixo da linha de pobreza.

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Musicofilia

MADA 2007: O futurismo russo acabou nos anos 20

Por Alex de Souza - 07/05/2007

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Nem tem muito o que dizer das bandas que fecharam a última noite do Mada. E nem domino o idioma indie praticado pelos admiradores do assunto, logo você não vai ver palavras como shoegazer, brit, lo-fi ou supercalifragiliticexpialidoso. Senso de humor até tenho, mas não uso para escrever. Aviso de antemão que perdi os shows de Dalila no Caos e de Jane Fonda. Ou seja, eles vão passar batidos. Se você assistiu e gostaria de emitir alguma opinião a respeito, pode aproveitar o espaço apropriado para isto aqui no site. Aí vão algumas rapidinhas mentais sobre a turma que subiu no palco. Depois vou falar mesmo é do festival.

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Musicofilia

MADA 2007: Manacá? Who? Enjoy Acajú, Punk! (Crítica: Sexta-Feira)

Por Alexandre Honório - 05/05/2007

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Antes que você pergunte, a resposta é não. Não assistimos a apresentação de Pandora No Hako na segunda noite do MADA 2007. Chuva e a ressaca da noite anterior contribuíram para isso. Não foi de todo uma perda significativa de informação: a horda ensandecida de seguidores que a Pandora traz debaixo do uniforme se fez presente, garantindo sua performance. Bem, pelo que disseram algo no mínimo engraçado.Após este esclarecimento, voltemos a vaca fria.

A segunda noite do Mada tinha tudo para dar errado, é verdade. A chuva que despencou durante todo o dia em Natal apontava que teríamos uma versão norte-rio-grandense do Woodstock – perdoe o som; pense na chuva e lama; esqueça as patricinhas com salto quarenta e chapinhas milimetricamente construídas. Não foi nada – ou quase nada – disso. A chuva deu uma trégua durante praticamente toda a noite e garantiu que o público pudesse acompanhar o set de bandas independentes que se apresentaram. São Pedro poupou suas torneiras até que o que realmente importava na segunda noite do evento deixasse o palco.

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Musicofilia

MADA 2007: Depois não diga que a gente não avisou!

Por Alexis Peixoto - 05/05/2007

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Por Alexis Peixoto e Tiago Lopes
Demorou, mas chegou. Não fosse uma das metades criativas responsáveis pelos textos moradora da Zona Norte, onde a chuva atinge com mais intensidade a vida e a obra dos intelectualmente privilegiados, a prévia da terceira noite do MADA 2007 já estaria no ar há um par de dias. Depois de uma peregrinação debaixo de meio metro de lama, Tiago Lopes conseguiu encontrar uma lan-house aberta e mandar sua contribuição para esta mui grata análise. Daqui pra frente, é só energia positiva (ui!): aproveite a ressaca da segunda noite e se refestele com o último capítulo da trilogia que comoveu o Rio Grande do Norte, quiçá o Brasil.

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Musicofilia

MADA 2007: VIAGEM AO FIM DA NOITE (Crítica: Quinta-Feira)

Por Alexis Peixoto - 04/05/2007

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Tradicionalmente, o primeiro dia de um festival de música independente– desses que alternam “grandes nomes da nossa música” com “novos talentos não descobertos” – nunca é um lugar muito confortável para se estar, quer você seja artista ou platéia. Acentue isso se a festa estiver marcada para começar num dia de semana e sem sombra de feriadão a vista. Na grande maioria dos casos a saída encontrada pela produção é salpicar a programação indie de nomes desconhecidos, mas com aquele potencial para agradar que pode dar crédito de “descobridor” ao festival, e fechar a noite com headliners que não desagradariam nem com o mais horrendo dos playbacks. E tal e qual foi a noite de 3 de maio, quinta-feira, dia útil, primeira noite da 9ª Edição do MADA: “indies lado Ç” tentando desesperadamente se fazer notar, mais Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi fechando a noite de forma apoteótica.

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