Musicofilia

Rock com testosterona

Por Hugo Morais - 30/01/2007

dosol_01.jpg

Ahhhhhhh o verão, época de você fazer coisas que vai contar para seus netinhos… É mais ou menos isso que diz o novo slogan da cerveja que abastecia a maioria dos presentes a Ribeira, pelo menos os mais velhos, já que pela hora, tinha muito guri. E foi verdade. Uma noite para ser lembrada.

Por volta das 19h30 duas bandas já haviam tocado. Vitrola e Arquivo. Nós, que estávamos do lado de fora do infernão, fomos avisados que a próxima banda a subir ao palco era Drunk Driver. Boa hora para entrar. Depois de umas quatro ou cinco apresentações dos bêbados, gosto cada dia mais. Estão mais soltos. Mais pesados. Nada que lembre a onda New Metal, EMO, Hardcore que assola Natal e Brasil. Ô saco…

[+] Leia Mais

 | Tags:

Cinemascópio

Babel ou Como Sucumbimos ao Silêncio

Por Alexandre Honório - 26/01/2007

babel_01.jpg

Foi entre o Eufrates e o Tigre que uma grande torre surgiu. Deus, ofendido pelos que regozijavam-se pela empreitada, determinou então que o povo que edificava aquela torre que pretendia tocar os céus – e que até então falava uma língua comum – não mais se entenderia; o silêncio os separaria. Ele, pelo desentendimento com seu povo, derrubaria todos os tijolos daquele então magnífico empreendimento.

A torre, Babel, símbolo do engenho humano, fora destruída. Em linhas gerais – talvez não tão gerais assim – Babel, terceiro e último filme da trilogia iniciada pelo cineasta Alejandro Iñarritu, fala sobre esta distância que nos separa e cerca nesta Babilônia Global. Não somente sobre a ignorância, mas talvez mais ainda sobre este inexorável silêncio.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Contos Insolentes

Tlahtolteotl não esqueceu – um conto em 2001 caracteres e ponto

Por Alexandre Honório - 23/01/2007

tlahtolteotl não esqueceu

Tlahtolteotl não esqueceu nenhuma das palavras. Sua fonte de poder, embora sentenciado ao esquecimento, não se perdera. Gerações encarnando, nascendo, morrendo e reencarnando: não se permitira esquecer. Seu nome fora apagado dos códices milênios antes que Montezuma II chegasse ao poder; o povo das encostas sussurrara sua lenda por dias e noites antes que tudo fosse perdido.

Um deus perdido; sem nome. Foi a este destino que os iguais o sentenciaram; deidades veneradas em todos os planos – mas invejosas – determinaram que Tlahtolteotl deveria perder-se. Um deus que detinha as palavras de poder não deveria conceder seus bons auguríos aos mortais; não poderia brindá-los com as riquezas por elas providas. Antes de cair, pois assim os deuses da Terra Antiga se referiam ao castigo, Tlahtolteotl levara prosperidade às encostas dos Andes.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Musicofilia

The Good, The Bad & The Queen é chute nas cinzas do Blur

Por Alexandre Honório - 22/01/2007

Para muitos fãs do Blur, Parklife (1994) não tem rival. Mesmo os álbuns que vieram depois não conseguiriam rivalizar com ele. Alguns discordam; acreditam que discos como The Great Escape (1995) e Blur (1997) superam e muito o terceiro dicos da banda. Acredito também, como alguns, que Damon Albarn é o gênio louco por trás da banda; aquele que, como Brian Wilson e Syd Barrett, impôs suas idéias e retirou uma sonoridade particular.

Uma prova disso pode ser encontrada nos dois “últimos” discos do Blur – 13 (1999) e Think Tank (2003) – e no projeto Gorillaz. Neste último, as experimentações e parcerias de Albarn produziram resultados verdadeiramente interessantes – especialmente em seu último trabalho à frente do “projeto dos macaquinhos”: Demon Days (2005). Rumores afirmam que o Blur como um dia conhecemos – com Graham Coxon nas guitarras – periga voltar; talvez isto aconteça até, mas, para Albarn, a música ainda reserva boas surpresas.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Palavreando

Crosta Rubra do Caibro

Por Carlos Gurgel - 20/01/2007

caibro_01.jpg

Empacou rochas como o coaxar de bichos exóticos. Como saco de farinha que vai distribuindo pelo caminho a seita de uma imensa cancela. Lá chegando amofina cuspes e a desculpa de quem nunca soube de nada.

Sou de uma cidade anã. Onde moro, se corre o risco de não se ver mais pelas ruas, o rio que circunda a imensa e inesquecível pororoca. Mesmo que queiramos uma dócil e mulambeira alegria. Como lua que se abufela na porta de quem jamais pensou que fosse entrar. Trincheira da vazante do rio que acalma o perigoso gastar pelas praças da nossa fratricida infância.

Sou de ostras. Como conchas de uma onda, de uma ventania que sacoleja como boleia de um transporte boêmio, a fulana que nunca pensou em voleios carnais. Sim, da casa que se avista, da rua que me cobre, olho o mundo como coisa de fantasma. Como redondilha de cimento acarpetado, todo arrodeado de grunhidos, gritos de sapos e nacos de dormir.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Cinemascópio

Com Alarmes, mas Ainda Sem Surpresas

Por Tiago Lopes - 19/01/2007

alarms_01.jpg

O livro do Apocalipse, filmado na íntegra, não seria tão assustador quanto o fim do mundo apresentado por Filhos da Esperança. Pensando melhor, as Revelações não iriam passar de um enredo de escola de samba, com cores espalhafatosas e uns personagens caricatos demais, se comparado a um fim que chegará porque todas as mulheres, inexplicavelmente, ficaram estéreis.

Partindo dessa premissa, Alfonso Cuáron desenvolve um filme que abarca todos os gêneros cinematográficos para acompanhar a vida de Theo(Clive Owen) na Londres de 2027, único lugar do mundo onde o caos ainda não se instalou por completo, segundo as suas próprias redes de notícias. Em mais um dia de trabalho, ele acompanha por todos os canais de TV reportagens sobre a morte do mais jovem ser humano da Terra que, aos 18 anos, foi esfaqueado por um fã insatisfeito com a atenção que recebeu.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Contos Insolentes

Volta pra Casa

Por Gabriel Trigueiro - 19/01/2007

volta_01.jpg

18h04. Saio do escritório discretinho, tipo fugindo. Chovendo fino. Sono de foder. Espero o ônibus embaixo da marquise, a parada é sem abrigo. De pé esperando a lata de sardinha, passa por mim uma velhota vestida num conjunto estampado. Só pelanca, cara rachada de dondoca gasta, ela entra no Golf, mantém os vidros fechados e cai fora. Sempre odiei velhotas em conjuntos estampados.

*****

Chegou a lata. A escada alta e a distância pra calçada me obrigam a levantar a perna esquerda até uma posição desconfortável e fazer força com a mão esquerda pra puxar meu corpo pra dentro daquela porra. Quase meto o nariz na bunda de uma moça feiosa com uniforme de vendedora, que aguarda a vez na catraca.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Contos Insolentes

O gigante

Por Moura Filho - 19/01/2007

gigante_01.jpg

Hei de ser gigante um dia. Tenho fé. Hei de ser gigante um dia e vou crescer por entre os prédios do Centro de surpresa, do nada, como que resultado desse calor de agora. Os cidadãos desesperados correrão para salvar-se. Mas isso não será possível para a maioria. Eu, o gigante, coisa irreal, imensa e forte – ante a correria – darei início ao meu tempo. Com uma mão apenas pegarei três vendedores de vales-transporte; o aleijado que usa a imobilidade de seus membros inferiores para extorquir dinheiro; o dono da carrocinha de cachorros-quentes e a dona do carrinho de milho; três das garotas que oferecem empréstimo especial aos idosos e – por capricho – o mímico que se pinta de prateado. Arrancarei uma perna de cada.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Cinemascópio

Uma apocalíptica visão do futuro pelas lentes de Alfonso Cuarón

Por Alexandre Honório - 18/01/2007

Uma apocalíptica visão do futuro pelas lentes de Alfonso Cuarón

Um planeta em fúria à espera de um milagre. Uma frase assim, piegas e apocalíptica, pode resumir muito do que o espectador ganha com Filhos da Esperança (Children of Men), novo longa do diretor mexicano Alfonso Cuarón (E Sua Mãe Também, Grandes Esperanças).

Baseado em um best-seller da escritora britânica P. D. James, The Children of Men, o filme nos apresenta um mundo no qual os seres humanos perderam sua fertilidade; as sucessivas catástrofes nucleares e as agressões ao ambiente levaram a humanidade à esterilidade. É neste panorama que somos apresentados a Theo Faron (Clive Owen), um ex-ativista político britânico.

[+] Leia Mais

 | Tags:

Contos Insolentes

J. Histórias – Fábulas de um fudido (sic) – Parte II: A Esfera

Por Moura Filho - 18/01/2007

j_hist02.jpg

(Para quem fazia algo melhor e não leu a primeira parte: J perdeu uma aposta que consistia no seguinte: o cara dar três pancadas no ovo direito sem amarelar. Neste capítulo, ele vai à forra contra Ademar, o ganhador. A história se passa no hospital onde J trabalha. Tudo é relatado ao atual melhor amigo dele, um aidético que segura na mão uma caixa misteriosa).

J: Já te disse que ver gente morta o tempo inteiro sempre me deu muita vontade de matar alguém?

– Como é, velho?

[+] Leia Mais

 | Tags:

2007 ® Todos os Direitos Reservados

Todos os textos deste website possuem registro Creative Commons License.

DZ3 Design