Por Aristeu Araújo - 28/11/2006

Iguatu é uma cidade de 92 mil habitantes cravada no centro do sertão cearense. É para lá que Hermila se desloca nos instantes iniciais de O Céu de Suely, segundo longa-metragem de Karim Aïnouz. Ela chega de ônibus, trazendo no braço o peso de um filho pequeno e da bagagem do que restou de dois anos em São Paulo.
Assim como em Madame Satã, primeiro filme do diretor, O Céu de Suely vai se construir na proximidade da câmera com sua protagonista, renegando artifícios puramente dramatúrgicos, focando-se no que há de essencial para a compreensão da personagem. Mas Hermila não tem a histeria de Madame Satã e se em seu primeiro longa-metragem Karim Aïnouz oscilou o foco de seus planos para acentuar a ira do protagonista, nesse segundo há uma delicadeza que busca os detalhes, as texturas da região, a dor de uma Hermila muito nova para ter um filho, grande demais para permanecer em sua pequena Iguatu.
[+] Leia MaisPor Pablo Capistrano - 26/11/2006

Na mitologia de diversos povos existem heróis que morrem e que ressuscitam. Mitra, Dionisus, Cristo. Do mesmo modo também existem bandas que morrem e ressuscitam. O New Order, que se apresentou no Brasil há algumas semanas, é um desses exemplos. Na sua origem ela tinha outro nome, Joy Division (esse é um elemento também da ressurreição, ou mesmo de qualquer processo iniciático: a troca de nomes). Surgida no final dos anos setenta no distrito industrial de Manchester (Noroeste da Inglaterra), o Joy Division canalizou influências dos Stooges e Velvet Underground, para oferecer ao nascente movimento punk um lado denso e sombrio, que iria determinar as regras estéticas nos anos oitenta.
[+] Leia MaisPor Hugo Montarroyos - 21/11/2006

Fausto Wolff é o desconhecido mais ilustre a surgir no Brasil. Se você nunca ouviu seu nome e jamais viu sua rotunda figura na TV, o motivo é um só: Wolff escolhe trilhar esse caminho. Do alto dos seus 65 anos, Fausto é contemporâneo e amigo de figuras como Millôr Fernandes, Ziraldo, Oscar Niemeyer, Jaguar e outros tantos. Começou no jornalismo aos 14 anos.
Foi do primeiro time do “Pasquim”. Para se ter uma idéia de sua importância, em uma festa em sua homenagem em Nova York, Fausto acabou conhecendo Truman Capote, a quem descreveu como arrogante, prepotente e afetado. Sem nunca ter freqüentado uma faculdade, fala inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, norueguês e entende um pouco de holandês.
[+] Leia MaisPor Alexis Peixoto - 18/11/2006

Certa feita, lá pelas tantas horas de uma noite de quinta-feira, João Gordo entrevistava o filho favorito da família Suplicy. Sem meias palavras, o redondo apresentador perguntou à figura de cabelo loiro e espetado e terno impecavelmente branco se ele se considerava punk. O entrevistado deu de ombros: “O que é punk pra você?”, respondeu simplesmente.
Chegamos aqui a uma encruzilhada. “Punk”, o termo musical, explodiu no fim da década de 1970 e atravessou os anos subseqüentes atachado à nomes como The Clash, Sex Pistols e Ramones. Historicamente, começou mesmo nas garagens sessentistas dos Sonics e Trashmen, pulou pra Nova Iorque, onde o Velvet Underground destilava toda a sua violência artê, e pra Detroit onde MC5 e Stooges se encarregavam de tocar o terror.
[+] Leia MaisPor Aristeu Araújo - 16/11/2006

O conceito de arte bruta é uma tentativa da psicanálise de delimitar e entender a produção estética de pessoas com problemas psiquiátricos. Arte bruta é a manifestação do inconsciente, é quando se faz arte sem conhecê-la, sem a noção de sua história ou de suas referências. Arte bruta refere-se ao que a mente é capaz de produzir sem a interferência do mundo exterior. É um conceito estranho. Um entendimento que parece vir imbuído de algum preconceito com o fazer artístico de pessoas que, a rigor, não estariam aptas a tal.
Arte bruta é o que Moacir faz. Moacir é pobre, analfabeto, camponês. Mora no Povoado de São Jorge, um pequeno lugarejo no interior de Goiás. Moacir também tem problemas para se comunicar, além de alguma disfunção psiquiátrica que o mantém num mundo à parte e ao que parece, envolto em alucinações. É dessas visões que Moacir retira grande parte das imagens que desenha e pinta.
[+] Leia MaisPor Alexandre Honório - 16/11/2006

A reeleição de Lula desceu seca pela garganta de muitos. Para estes, fora incompreensível – vide os escândalos que pautaram o noticiário nacional dos últimos meses – o movimento que reconduziu um aparentemente fragilizado candidato ao cargo mais importante do país ao cargo. Muitos atribuiram a vitória ao carisma de Lula; outros às maquinações políticas de seu partido; alguns, a uma aparente ignorância das camadas menos favorecidas da sociedade.
O fato, no final, é que um metalúrgico cuja história foi construída nas ruas do ABC Paulista e no movimento sindical em meados das décadas de 70 e 80, com a ajuda de muitos pelo caminho, obteve uma vitória considerada emblemática. As explicações para isso? Bem, o Cinema tem algumas que podem ser finalmente ser conferidas em duas produções relativamente recentes e que, por ocasião da reeleição, chegam às locadoras: os documentários Entreatos, de João Moreira Salles, e Peões, de Eduardo Coutinho.
[+] Leia MaisPor Alexandre Honório - 14/11/2006

Não leio muito quadrinhos europeus – ou banda desenhada, como costuma-se chamar o gênero por lá. Li pouco; alguns trabalho de Manara; outros de Crepax; mais alguns de Moebius (o Incal entre estes) e foi isso. Costumava, lá na adolescência, ler alguns fumetti de Tex e Zagor. Nada muito distinto. Lia também Ken Parker, mas achava poético demais pra minha cabeça. O Western europeu – tirando aquele dos filmes de Sérgio Leone – me parecia hermético demais.
Daí, uma década e alguns anos depois, encontro com Blueberry nas bancas. Sempre gostei da arte de Moebius – ou Jean Giraud, se preferir – e decidi embarcar na aventuras do Tenente Blueberry e a releitura de Giraud para os eventos de Ok Corral!, na cidade de Tombstone.
[+] Leia MaisPor Alexandre Honório - 12/11/2006

Histórias em quadrinhos há muito ganharam um novo status junto aos leitores do gênero. Personagens como Superman, Batman, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde praticamente viraram ícones pop. Faltava apenas contextualizá-los para que suas origens pudessem ser situadas históricamente. O estabelecimento de uma fronteira mais visível.
Bem, esta foi a premissa da série DC: Nova Fronteira, recentemente lançada pela Panini Comics no Brasil. A série em dois volumes não apenas situa os personagens da editora americana em momentos históricos, mas envolve-os em instantes importantes do século passado.
[+] Leia MaisPor Tiago Lopes - 10/11/2006

A certa altura de A Vila, um dos melhores e mais subestimados filmes dessa década, o segredo sobre os monstros que cercam o vilarejo é desvendado, para os moradores e para a platéia. Mas numa das derradeiras seqüências, o pseudo monstro reaparece para assustar a garota cega, que procura no bosque a cura para seu amado.
Por Alexandre Honório - 05/11/2006

Martin Scorcese devia estar com algum tipo de bloqueio criativo. Apesar de ter gostado muito de Gangues de Nova York e de O Aviador (este último, nem tanto assim), a impressão era que o velho Scorcese tinha deixado muito de sua magia nas três horas e alguma coisa de duração de Cassino – último longa onde os bandidos são o “miolo” dos fotogramas.
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